Alimentação na gravidez

Julho 2017

Uma mulher grávida pode comer sempre que tiver fome ao longo de sua gestação. O ganho de peso durante a gravidez varia de uma mulher para outra. Ao fim da gestação, o peso do bebê depende do peso habitual da mãe, bem como de seu IMC antes do início da gravidez.


Dieta antes da gestação

É primordial que mulheres que desejam ter um filho tenham consciência da importância de estarem atentas ao seu peso e fazer uma dieta alimentar, se necessário, no momento em que tomarem essa decisão. A consulta pré-natal é cada vez mais recomendada desde o momento em que decidir conceber um bebê e obviamente enfrentar problemas de peso antes da gestação.

Obesidade e sobrepeso na gravidez

Ao longo da gestação, mulheres que ganham muito peso ou que já tenham excesso de peso poderão apresentar episódios de hipertensão arterial, diabetes gestacional, agravamento do risco de cesariana, aumento do risco de flebite (inflamação na parede da veia), aumento do risco de problemas do bebê precisar de cuidados intensivos ao nascer.

Uma mulher com IMC entre 18,5 e 25 no mês que precede o início de sua gravidez tem grandes chances de conceber um bebê com peso normal. Para as mulheres que tenham uma estrutura corporal normal, a média de ganho de peso está ao redor de 12 kg. As mulheres grávidas de gêmeos têm um ganho adicional de peso de 3 kg a 4 kg. O ganho de peso depende da morfologia, do peso habitual e do tamanho.

Ganho de peso na gravidez

O ganho de peso é moderado ao longo do primeiro trimestre, uma vez que o bebê cresce muito pouco durante esse período. O progresso do bebê aumenta a partir do quarto mês de gestação: o ganho de peso pode variar de 4 kg a 5 kg ao longo da primeira metade da gestação.

Ele vai se acentuar no fim da gravidez, quando o bebê cresce mais, e chega a até 12 kg perto do parto. A futura mãe deve consultar rapidamente seu médico se não ganhar peso neste período. O acompanhamento de peso deve ser feito pelo menos duas vezes por mês, sempre pela manhã e utilizando a mesma balança. Se houver aumento grande de peso, a mãe deve consultar seu obstetra.

Comer por dois na gravidez

Uma mulher grávida não deve decidir sozinha iniciar uma dieta. Todos os regimes são contraindicados ao longo da gestação, exceto os prescritos por um médico diante do surgimento, por exemplo, de diabetes gestacional.

É preciso diversificar sua alimentação, não restringi-la e evitar privações para não correr o risco de impor carências ao feto. É recomendável adotar alimentação equilibrada e saudável. Sem duplicar a ingestão de calorias, consuma uma quantidade maior de certos nutrientes necessários ao crescimento e desenvolvimento do feto. Uma mulher com sobrepeso ou obesa, ou que apresente magreza excessiva deve buscar aconselhamento de um nutricionista.

Satisfaça desejos e evite excessos na gravidez

Reduza o consumo de café e chá mate, não pule nenhuma refeição, tente fazer quatro ou cinco refeições equilibradas por dia: café da manhã, um lanche leve perto das 11h, almoço, lanche da tarde e jantar.

Tome um café da manhã reforçado, consuma ao menos cinco frutas e legumes por dia, beba suco de frutas com ou sem açúcar no lanche da tarde ou no café da manhã e não belisque entre as refeições.

Suplementos de cálcio, vitamina D e ferro poderão ser prescritos em caso de identificação de carência alimentar. Mastigue tranquilamente, coma lentamente e tenha em mente esta frase: "Coma duas vezes melhor, não duas vezes mais".

É necessária prudência extrema se a gestação anterior tiver ocorrido num intervalo inferior a dois anos, se uma dieta restritiva tiver sido feita nas semanas anteriores ao início da gestação, se a futura mãe estiver acima do peso ou muito magra ou ainda se ela tiver diabetes.

Complementos alimentares para gestantes

Os complementos alimentares incluem principalmente vitaminas, sais minerais ou antioxidantes na forma de cápsulas, ampolas ou infusões. Eles não são aconselhados às mulheres grávidas. Esses complementos alimentares são inúteis e podem representar riscos em alguns casos. Consulte seu médico se decidir consumi-los. Uma mulher grávida em boa saúde, sem carências específicas, não precisa ingerir complementos alimentares. A vitamina A, por exemplo, pode provocar malformação do feto.

Ácido fólico para gestantes

Um tratamento à base de ácido fólico permite diminuição dos riscos de malformação neurológica do feto. Na verdade, uma carência de ácido fólico pode provocar um problema de fechamento do duto neurológico do feto. As mulheres grávidas de gêmeos que não se alimentam suficientemente ou aquelas que tenham muitas gestações seguidas estão particularmente mais expostas.

De acordo com as recomendações de especialistas, é aconselhável começar esse tratamento antes da concepção, ou seja, a partir do momento em que a mulher suspender os métodos contraceptivos. A duração do tratamento será determinada pelo médico. Em média, dura oito semanas antes do início da gestação.

Beber água durante a gravidez

Beba muita água, entre 1,5 e 2 litros por dia. A absorção de água permite reduzir os riscos de infecção urinária e de prisão de ventre. Após o nascimento do bebê, a mãe deve continuar a beber muita água, sobretudo em caso de amamentação. Tome um copo de leite à noite, antes de dormir.

O que comer na gravidez

Cálcio para gestantes

O cálcio é essencial para a saúde dos ossos e para a constituição do esqueleto do bebê. Pode ser obtido no leite e nos laticínios. É aconselhável consumir de três a quatro produtos derivados de leite por dia, um por refeição, na forma de leite, iogurte ou queijo branco. Um copo de leite equivale a um iogurte de 125 gramas ou a 20 g de queijo. Evite os complementos alimentares que contenham cálcio.

Vitamina D para gestantes

A vitamina D aumenta as possibilidades de o organismo absorver o cálcio dos alimentos. As necessidades de vitamina D são dobradas durante a gestação a fim de atender também ao bebê. A vitamina D é sintetizada pelo corpo essencialmente graças à ação do sol sobre a pele. Essa vitamina está presente no salmão, sardinha, ovos, fígado e produtos lácteos. É recomendável o consumo de vitamina D a todas as grávidas. Uma dose única de vitamina D é aconselhável no início do sexto ou sétimo mês de gestação, período em que o bebê cresce mais e forma seus ossos. As mulheres grávidas geralmente carecem de vitamina D no fim da gravidez e durante o inverno.

Ferro para gestantes

Um aporte suficiente de ferro é indispensável, sobretudo no fim da gravidez, de forma a evitar um risco de queda nos glóbulos vermelhos e o surgimento de anemia, situação que pode elevar os riscos de parto prematuro e baixo peso do bebê.

Consuma regularmente os alimentos que contêm ferro: ovos, peixes e carnes, legumes secos, lentilhas, feijão branco, grão de bico, espinafre e oleaginosas. Coma peixe ao menos duas vezes por semana, inclusive na forma de conserva dando preferência para peixes como sardinhas, atum e robalo. Consuma alimentos cítricos (laranja, limão, toranja etc.) que contenham vitamina C, que permite melhor absorção do ferro.

O brócolis faz parte dos alimentos que contêm vitamina C. Um tratamento à base de ferro pode ser prescrito se a quantidade de ferro for insuficiente. O médico ou a parteira podem prescrever um suplemento em ferro se for constatada anemia. Evite o ferro na forma de medicamento, de complemento alimentar ou de alimentos enriquecidos. Isso pode ser particularmente prejudicial em caso de hipertensão arterial, diabetes ou se a gestante não parar de fumar.

Vitamina B9 para gestantes

Os legumes verdes são ricos em vitamina B9, que contribui para o desenvolvimento do feto. Espinafre, chicória, agrião, melão, castanha, nozes e grão de bico são exemplos. Outros alimentos também possuem o nutriente: alface, couve, alcachofra, alho-poró, feijão verde, ervilha, rabanete, beterraba, aspargos, abobrinha, abacate, lentilha, ovos, queijo, cenoura, tomate, cebola, milho e pimentão, além de frutas como banana, kiwi, figo e tâmara.

Uma carência de vitamina B9 pode levar a uma anomalia no desenvolvimento da placenta, atraso no crescimento do feto e anomalias neurológicas, bem como risco maior de parto prematuro. Um tratamento de vitamina B9 é aconselhável antes da concepção, no momento da concepção e prolongando-se até o fim do segundo mês de gestação.

Iodo para gestantes

O iodo é indispensável para assegurar o funcionamento da glândula tireoide e o bom desenvolvimento do cérebro do bebê. O iodo pode ser encontrado em crustáceos e peixes de água salgada, leite e laticínios, ovos e sal iodado. Em alguns casos, o médico deve prescrever um tratamento com medicamentos se houver carência de iodo.

Carboidratos para gestantes

Os carboidratos são essenciais na alimentação do feto. Consuma grãos doces, como féculas, cereais e pães, por exemplo, diariamente durante toda a gestão.

Proteínas para gestantes

As proteínas são encontradas nas carnes, peixes, ovos e produtos lácteos.

Frutas para gestantes

As frutas podem ser consumidas sem moderação.

Fibras para gestantes

A quantidade de fibras é duas vezes maior no pão integral do que no pão branco.

Peixes para gestantes

O peixe é um alimento que só oferece benefícios. Ele contém quantidades suficientes de iodo, selênio, vitamina D, vitamina B12 e sobretudo de ômega 3, substâncias indispensáveis ao bom desenvolvimento do bebê e à construção de seu cérebro. Coma atum, sardinha, robalo e arenque, mas evite peixes de água doce, como enguias, que podem conter mercúrio.

Alimentos que a gestante não deve comer

É aconselhável limitar o consumo de certos alimentos, como manteigas e óleos, chá mate, café e refrigerantes. Doces, biscoitos, bombons e chocolate também devem ser cortados da lista, assim como pratos muito condimentados ou ricos em gordura. Produtos light não são recomendados. Evite amendoins em famílias de alérgicos, uma vez que a alergia ao amendoim pode afetar também o bebê.

Soja e produtos à base de soja também estão fora. Eles contêm estrogênio vegetal, que pode ter repercussões no bebê. Por prudência, é aconselhável limitar o consumo destes alimentos a, no máximo, um por dia e excluir totalmente os complementos alimentares que os contenham na sua composição.

Alimentos feitos com fígado devem ser evitados, uma vez que o fígado dos animais tem uma concentração elevada de vitamina A, que pode representar risco para o feto. O consumo de edulcorantes não é aconselhável.

Álcool e tabaco devem ser totalmente evitados, pois eles aumentam o risco de parto prematuro e baixo peso da criança ao nascer.

Gestantes que exigem acompanhamento médico

Adolescentes, mulheres que tenham tido várias gestações próximas, vegetarianas ou veganas e grávidas de gêmeos que não se alimentam de maneira suficiente precisam ser acompanhadas de perto pelo médico.

Foto: © andreykuzmin - 123RF.com

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Publicado por luis.saude. Última modificação: 22 de maio de 2017 às 17:10 por Pedro.Saude.
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