Metaplasia escamosa do colo do útero

Abril 2017

A metaplasia escamosa do colo do útero é uma condição marcada pela mudança na aparência das células uterinas. Ainda que se trate de um processo natural do organismo feminino, a metaplasia pode desencadear, em casos raros, alterações celulares pré-cancerosas.


O que é a metaplasia escamosa do colo do útero

A metaplasia escamosa do colo do útero é a mudança das células cilíndricas da região uterina logo após o orifício cervical. Em outras palavras, ela é a transformação ou substituição de um tecido adulto por outro da mesma classe. Na metaplasia escamosa, o epitélio monoestratificado (aquele que possui apenas um camada de células) se converte em epitélio pluriestratificado (com várias camadas de células).

Metaplasia escamosa endocervical

A metaplasia é um processo benigno e natural que ocorre em certos momentos da vida da mulher como puberdade, gravidez e pós-parto, ainda que não seja exclusiva destes períodos. As mudanças celulares não são consideradas perigosas nem aumentam o risco de câncer do colo de útero. A metaplasia escamosa se inicia nas regiões mais expostas do epitélio cilíndrico do colo do útero com a aparição de pequenas células redondas subcilíndricas chamadas células de reserva. À medida em que estas células proliferam e se diferenciam, inicia-se a formação de um epitélio multicelular e não estratificado que recebe o nome de epitélio escamoso uterino.

Metaplasia escamosa imatura

O termo metaplasia imatura se refere à fase da metaplasia em que as células de reserva ainda não terminaram de se diferenciar e estratificar. As células do epitélio metaplásico escamoso imaturo não produzem glicogênio, por exemplo. Podem surgir vários grupos isolados de metaplasia escamosa imatura ao mesmo tempo em diferentes zonas do colo do útero. A região do colo em que ocorre a metaplasia é denominada de zona de transformação. É muito importante identificar esta zona em uma colposcopia já que a maioria das manifestações de carcinogênese cervical surgem nestas áreas.

Metaplasia escamosa madura

O epitélio metaplásico imaturo recém-formado pode evoluir de duas formas: alcançar a maturidade ou manter-se imaturo. Na grande maioria das vezes, o epitélio metaplásico imaturo se converte em epitélio cilíndrico metaplásico maduro, bem estratificado, rico em glicogênio, similar, para todos os efeitos práticos, ao epitélio escamoso do ectocérvix. No epitélio maduro é possível observar a presença de folículos, chamados cistos de Naboth. Quando o epitélio imaturo se converte em tecido maduro não há risco de complicações.

Metaplasia escamosa imatura por HPV

Em alguns casos, o epitélio endocervical se mantém imaturo. Essa situação é considerada anormal e pode iniciar alterações celulares pré-cancerosas. Tal complicação não é muito frequente, mas ocorre em uma pequena porcentagem de casos devido a uma infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV). O HPV pode infectar as células metaplásicas escamosas imaturas e transformá-las em células atípicas com anomalias nucleares e citoplasmáticas.

Causas frequentes da metaplasia escamosa

As causas mais frequentes de metaplasia escamosa do colo do útero são proliferações de células colunares de reserva que enchem as glândulas endocervicais, aumento da acidez do útero durante a puberdade, inflamações ou irritações uterinas, exposição a substâncias químicas, excesso de estrogênio, déficit de vitamina A, presença de pólipos uterinos e uso de anticoncepcionais orais.

Tratamento da metaplasia escamosa

A metaplasia escamosa do colo do útero não precisa de tratamento, apenas acompanhamento médico. Em um exame de Papanicolau, a metaplasia é classificada como negativa ou classe I, o que significa que não há risco de malignidade. Em geral, as células do colo do útero apresentam-se completamente normais após a metaplasia.

Foto: © Tefi - Shutterstock.com

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Artigo original publicado por . Tradução feita por Pedro.Saude. Última modificação: 25 de abril de 2017 às 15:39 por Pedro.Saude.
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