Pesquisa: obesidade triplica em jovens brasileiros

Natali.Saude - 26 de setembro de 2016 - 09:53

Pesquisa: obesidade triplica em jovens brasileiros

Estudo da UERJ aponta que, em três décadas, obesidade nesse grupo subiu de 6 para 18%

(CCM SAÚDE) — Um estudo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) mostra que, nos últimos 30 anos, a obesidade triplicou entre crianças e adolescentes de 10 a 15 anos. Eles chegaram a essa conclusão depois de comparar taxas de obesidade, sobrepeso e pressão sanguínea de crianças e adolescentes registradas entre 1986 e 1987 a dados coletados neste ano.

Uma das formas mais perigosas de obesidade, a abdominal, foi detectada em 46% dos estudantes avaliados. Essa condição, caracterizada pela concentração de gordura nas vísceras, é a mais associada a risco aumentado de mortalidade em jovens adultos. Em 30 anos, nas mesmas escolas avaliadas anteriormente, a taxa de obesidade passou de 6% para 18%, e o sobrepeso de 11% para 14%. Juntando obesidade e sobrepeso, a prevalência pulou de 17% para 32%.

O excesso de peso na faixa etária infantojuvenil está associado a um risco aumentado de doenças cardiovasculares, hipertensão e diabetes 2, entre outros. Esses problemas já se manifestam a curto prazo, mas, com o tempo, agravam-se de forma silenciosa, podendo provocar infartos e acidente vascular cerebral (AVC) antes dos 40 anos.

A pesquisa mostrou, ainda, que 60% das crianças eram completamente sedentárias. “Os adultos que eram obesos na infância e na adolescência são as maiores vítimas de morte por causas cardiovasculares, como infarto e derrame”, diz a cardiologista Andréa Araújo Brandão.

"Já tem muito adulto jovem infartando e muita criança tomando remédio para hipertensão", atesta Virgínia Weffort, presidente do Departamento Científico de Nutrologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Por trás disso estão alimentação errada e falta de atividade física — problemas que vêm, literalmente, de berço.

"Esse estudo serve de alerta para todos nós. Precisamos mudar os hábitos nas escolas e em casa, reduzindo o consumo de carboidratos e diminuindo o sedentarismo", diz Fausto Stauffer, diretor de pesquisa da Sociedade Brasileira de Cardiologia e coordenador de Cardiologia do Hospital Prontonorte.

Foto: © kwanchai.c - Shutterstock.com

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