Achada molécula que desencadeia o Parkinson

Natali.Saude - 30 de setembro de 2016 - 10:38

Achada molécula que desencadeia o Parkinson

Baixa produção de dopamina está ligada à doença; proteína interrompe essa produção

(CCM SAÚDE) — Uma descoberta pode mudar a forma com que se trata o mal de Parkinson, doença degenerativa que causa tremores, redução dos movimentos voluntários e instabilidade postural.

A baixa produção de dopamina está ligada ao surgimento desse mal e, segundo um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a proteína alfa-sinucleína, em excesso no cérebro, interrompe a produção de dopamina. Após essa novidade, a expectativa é de que eles ajudem na criação de tratamentos mais eficazes para o problema, que atinge de 1% a 2% da população mundial com mais de 65 anos.

Os autores usaram como base trabalhos anteriores que encontraram grandes quantidades de alfa-sinucleína em cérebros autopsiados de pessoas que tiveram Parkinson. Foi concluído que agregados dessa proteína afetam estruturas cerebrais responsáveis pelo movimento e por funções básicas, como a memória e o raciocínio.

"Houve muito ceticismo no começo, mas, em seguida, outros laboratórios mostraram que a alfa-sinucleína pode se espalhar de célula a célula", declarou, em comunicado à imprensa, Ted Dawson, principal autor do estudo e diretor do Instituto de Engenharia Celular da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Delson José da Silva, chefe da Unidade de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (UFG) e membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), avalia que os resultados obtidos reforçam a hipótese de que o Parkinson é uma doença multifatorial. "A proteína alfa-sinucleína em excesso entra dentro de uma suspeita que existe na área, a de que o Parkinson pode ser provocado por uma reação autoimune", explicou. Segundo o especialista, esse acúmulo de proteína pode levar à morte dos neurônios.

O futuro das pesquisas na área está em descobrir maneiras de evitar que a alfa-sinucleína se multiplique e afete o cérebro. "Se essa proteína for realmente responsável pelos danos causados no cérebro, teríamos uma outra estratégia de tratamento, com foco na raiz do problema. Uma solução que poderia evitar a propagação dessa substância e impedir, assim, a evolução do Parkinson", avalia.

Foto: © Ocskay Bence - Shutterstock.com
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