Brasileiros criam exame de retina com smartphone

Natali.Saude - 13 de outubro de 2016 - 08:33

Brasileiros criam exame de retina com smartphone

Três ex-alunos da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos foram os inventores da novidade

(CCM SAÚDE) — Uma invenção criada por três ex-alunos da Universidade de São Paulo em São Carlos promete deixar mais simples e barato o exame de retina. Isso porque eles criaram uma forma de realizar exames oculares com um smartphone.



O sistema venceu o Falling Walls Lab São Paulo, etapa classificatória da competição global que incentiva a criação de soluções de alto impacto na sociedade. Agora o projeto irá representar o Brasil na final da competição, que será realizada em novembro, na Alemanha. Ainda em fase de testes, estima-se que ele seja comercializado no primeiro semestre de 2018.

Batizado de Smart Retinal Camera (SRC), o aparelho é uma versão portátil do retinógrafo, utilizado em exames de retinografia para observar e registrar fotos da retina. Apesar de o sistema óptico ser reduzido, as imagens obtidas pelo SRC têm qualidade tão boa quanto a dos equipamentos tradicionais. Acoplado a um aparelho celular, ele tem um sistema específico de iluminação que consegue colocar uma luz no fundo do olho do paciente para obter a imagem e, por meio da própria câmera do smartphone, captura imagens da retina.

"Como estamos usando o smartphone, é possível encaminhar essas imagens para a nuvem na internet e o médico conseguiria, nesse caso, dar um diagnóstico remoto. O especialista pode atuar na sua clínica, por exemplo na capital, e o operador pode trabalhar em campo coletando essas imagens para diagnóstico", explicou o engenheiro de computação José Augusto Stuchi, um dos autores do projeto.

Os pesquisadores demonstraram a capacidade do protótipo em um olho didático, usado em aulas de anatomia. Na câmera do celular aparece todo o fundo do olho em detalhes e com definição. O retinógrafo portátil pode ajudar a corrigir uma deficiência que hoje existe no Brasil. No país, são 6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência visual e 85% das cidades não têm especialistas, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia.

"O que a gente imagina de ápice do equipamento é fazermos um exame em uma comunidade remota no meio do Amazonas, em um barco consultório, e um médico em São Paulo, em um centro de especialidades, fazer uma avaliação daquele fundo de olho que foi fotografado remotamente", completou o engenheiro elétrico Flávio Vieira.

Foto: © Romaset - Shutterstock.com

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