Chikungunya será principal epidemia do verão

Pedro.Saude - 28 de outubro de 2016 - 06:22

Chikungunya será principal epidemia do verão

Alerta é de especialista da Fiocruz; casos da doença já somam 215 mil somente até setembro

(CCM SAÚDE) — Depois da dengue e do zika nos últimos anos, a chikungunya será a principal epidemia do verão brasileiro. O alerta é do médico infectologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rivaldo Venâncio. Em análise publicada no website da instituição, ele afirma que a doença já está presente em todo o país e a falta de anticorpos da maioria da população contra o vírus será responsável por um grande número de casos em 2017.



De acordo com Venâncio, as ocorrências já cresceram de maneira significativa, assim como a área de circulação da chikungunya. Em 2015, foram cerca de 38 mil casos em 650 municípios. Já neste ano, somente até setembro, a doença se espalhou por 2.250 cidades e o total de notificações é de 215 mil. "Se considerarmos que existe pelo menos um caso não notificado para cada notificado, estaremos falando de praticamente 500 mil casos. É uma escalada vertiginosa da doença. Temos que nos preparar para enfrentar um problema ainda maior do que imaginávamos", escreve ele.

Para enfrentar a doença - e principalmente o mosquito Aedes aegypti, seu transmissor -, o médico defende incentivo ainda maior às pesquisas sobre a chikungunya, bem como da zika e dengue. Por outro lado, Venâncio ataca a liberação por parte do Congresso Nacional da pulverização de inseticida sobre áreas afetadas por meio de aviões. "O inseticida vai matar parte dos mosquitos, mas também abelhas, largartas, pássaros, pequenos animais e desenvolver alergias graves em crianças. O impacto ambiental e sobre a saúde coletiva não justifica essa aventura", critica.

Segundo ele, a falta de saneamento, o uso intensivo de garrafas e outros materiais plásticos e a coleta irregular de lixo tornam as cidades brasileiras um ambiente propício para a proliferação do Aedes e epidemias destas doenças. "O mosquito tem seus principais focos de procriação relacionados a um passivo ambiental acumulado ao longo de 500 anos. Não tem milagre", conclui o especialista.

Foto: © phichak - Shutterstock.com
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