Gravidez tardia pode elevar risco de câncer de mama

Natali.Saude - 31 de outubro de 2016 - 09:57

Gravidez tardia pode elevar risco de câncer de mama

Em gestantes acometidas por esse mal, tratamento pode ser iniciado após o terceiro mês de gravidez

(CCM SAÚDE) — Nos últimos anos, especialistas em câncer de mama gestacional observaram um aumento no número de casos associados “provavelmente” ao atraso na idade para ter o primeiro filho - depois dos 30 anos.

De acordo com um estudo do Grupo Espanhol de Pesquisa em Câncer de Mama (Geicam), apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica em Copenhague, na Dinamarca, metade dos casos de câncer de mama gestacional - em grávidas ou no ano seguinte à gravidez - é do tipo basal, o mais agressivo e difícil de tratar.

A conclusão foi obtida após uma análise feita em 70 pacientes e avaliou perfis de expressão genética associados especificamente ao câncer de mama gestacional. À agência 'Efe', o principal pesquisador do estudo, o oncologista Juan de la Haba, explica que qualquer tecido humano é formado por células que alcançam amadurecimento e é então que seu DNA fica "muito mais seguro e resistente" a danos que podem ocasionar o surgimento de um câncer.

No caso do câncer de mama, ele diz que as células da glândula mamária adquirem amadurecimento completo quando este órgão desenvolve a função para a qual foi criado: a amamentação. A gravidez previne o câncer de mama se ocorre cedo e a opção de não ter filhos aumenta o risco de ter a doença. Segundo ele, uma glândula mamária que chega aos 35 anos sem ter cumprido sua função tem células imaturas.

"Quando a mulher fica grávida a partir dos 30 anos, essas células até então não maduras são submetidas a um estímulo proliferativo, ou seja, ao crescimento da mama e, se existe dano em nível celular, a gravidez pode atuar como estímulo à proliferação de células que estão danificadas", diz ele.

Caso seja detectado, o câncer de mama na gestação pode ser tratado após o primeiro trimestre de gravidez. Exceto a radioterapia, que em algumas ocasiões pode causar parto prematuro, e algumas quimioterapias, os demais tratamentos podem ser administrados normalmente e sem aumentar de forma significativa o risco para o bebê, nem para a mãe.

Foto: © Viacheslav_Lopatin - Shutterstock.com
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