Infecções na infância elevam risco de obesidade

Natali.Saude - 3 de novembro de 2016 - 09:27

Infecções na infância elevam risco de obesidade

Crianças que não são tratadas com antibióticos têm 25% mais chance de sobrepeso

(CCM SAÚDE) — Um trabalho desenvolvido ao longo de 16 anos e publicado na revista 'The Lancet Diabetes & Endocrinology’ aponta infecções durante a infância como um fator de risco para a obesidade nos anos seguintes. Segundo o estudo, crianças que enfrentam complicações como otite no primeiro ano de vida e não são tratadas com antibiótico correm 25% mais risco de sobrepeso.

A pesquisa, feita com mais de 260 mil crianças, modifica a tese anterior de que os principais causadores da obesidade na vida adulta seriam os antibióticos ingeridos na infância. "Descobrimos que os antibióticos, por eles mesmos, não parecem relacionados à obesidade infantil", disse De-Kun Li, principal autor do estudo e epidemiologista da Divisão de Pesquisa da organização sem fins lucrativos Kaiser Permanente, dos Estados Unidos.

"Nosso estudo é uma das maiores análises sobre as diferentes inter-relações entre infecção, antibióticos e obesidade infantil e adiciona importantes evidências a um crescente corpo de pesquisa que investiga como a microbiota, ou as bactérias intestinais, pode afetar o desenvolvimento da criança", completa o especialista.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 41 milhões de crianças de até cinco anos estão acima do peso ou obesas, um problema que não poderia ser explicado apenas pelo desequilíbrio energético (calorias consumidas versus gasto calórico). Tanto infecções quanto antibióticos têm demonstrado influência na composição dos micro-organismos intestinais; a microbiota pode afetar processos metabólicos e o sistema imune, o que, por sua vez, compromete os padrões de crescimento e o desenvolvimento do peso.

Foto: © kryzhov - Shutterstock.com
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