Queda de 36% na transmissão materna do HIV

Pedro.Saude - 1 de dezembro de 2016 - 08:26

Queda de 36% na transmissão materna do HIV

Dados do ano passado também mostram que Brasil cumpriu primeira meta da ONU para 2020

(CCM SAÚDE) — A transmissão materno-fetal do HIV caiu 36% nos últimos seis anos, anunciou o Ministério da Saúde nesta quinta-feira (31). A divulgação do novo boletim epidemiológico do HIV/Aids coincide com o Dia Internacional do Combate à Aids, comemorado em 1º de dezembro. Os dados, apresentados em Brasília, trazem boas notícias e um motivo de preocupação.



A primeira novidade importante é quanto à transmissão materna do vírus. Um dos pilares para barrar o avanço da doença, essa forma de infecção pelo HIV caiu 36% entre 2010 e 2015. Há seis anos, havia 3,9 crianças menores de cinco anos com HIV para cada 100 mil habitantes. Essa taxa era de 2,5 por 100 mil ao final de 2015. "A redução da transmissão de mãe para filho se deu pela ampliação da testagem nos últimos anos e ao reforço na oferta de medicamentos para gestantes", avalia o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Outro avanço significativo se deu no tratamento de pacientes com HIV. Entre 2013 e 2016, houve crescimento de 38% no número de pessoas recebem o coquetel antirretroviral. Em números reais, o salto foi de 355 mil pacientes há três anos para 489 mil até o fim de outubro deste ano. Atualmente, o Ministério da Saúde estima que 827 mil pessoas vivam com HIV, sendo que 112 mil não sabem.

Com isso, o Brasil tem se aproximado da meta estabelecida pela agência das Nações Unidas para Aids (Unaids, na sigla em inglês) para 2020. A meta 90-90-90 almeja diagnosticar 90% das pessoas infectadas, dar tratamento para 90% destas e garantir carga viral indetectável para 90% delas. Em 2015, o país já cumpriu a primeira delas.

No final do ano passado, o país tinha 87% dos infectados com diagnóstico (contra 80% em 2012), 64% dos diagnosticados em tratamento (eram 44% em 2012) e 90% daqueles que receberam os remédios com carga viral imperceptível (eram 75% três anos antes).

Por fim, o número mais alarmante do boletim é quanto ao crescimento da infecção por HIV entre jovens do sexo masculino. Nos últimos 10 anos, a taxa de detecção na faixa etária dos 20 aos 24 anos saltou de 15,9 por 100 mil para 33,1. Por outro lado, o índice entre as mulheres cai em praticamente todas as faixas etárias. Com isso, a razão entre homens e mulheres infectados subiu de 1,2 para 1 em 2006 e chegou a 3 para 1 no ano passado.

Foto: © SOMKKU - Shutterstock.com
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