Fazer plantão aumenta risco de males cardíacos

Natali.Saude - 5 de dezembro de 2016 - 09:50

Fazer plantão aumenta risco de males cardíacos

Profissionais que trabalham em regime de plantão têm pressão arterial e hormônio de estresse elevados

(CCM SAÚDE) — Profissionais que comprem turnos ou sessões de plantão podem ter sua saúde, especialmente a cardíaca, comprometida. Essa conclusão foi obtida por pesquisadores alemães, que analisaram um grupo de pessoas antes e depois de elas realizarem expedientes desse tipo.

"Com base em estudos anteriores, sabemos que a privação do sono está associada à elevação da ativação simpática, o que significa um aumento da secreção do hormônio do estresse, o cortisol, e da pressão arterial. Decidimos realizar um estudo baseado em ressonância magnética cardíaca a fim de investigar os efeitos da privação do sono no contexto do turno 24 horas", detalha Daniel Kuetting, um dos autores e pesquisador do Departamento de Radiologia Diagnóstica e Intervencionista da Universidade de Bonn, na Alemanha.

Para o experimento, os cientistas recrutaram 20 radiologistas saudáveis - 19 homens e uma mulher - com 30 anos de idade em média. Cada um dos participantes foi submetido a ressonância magnética cardiovascular antes e depois de cumprir um turno de trabalho de 24 horas, com, em média, três horas de sono. Os pesquisadores também coletaram amostras de sangue e urina e mediram a pressão arterial e a frequência cardíaca dos participantes.

"Pela primeira vez, temos demonstrado que a privação de sono de curto prazo no contexto de turnos de 24 horas pode levar a um aumento significativo nas funções do coração, como pressão arterial e frequência cardíaca", destaca Kuetting. Os participantes também apresentaram aumentos consideráveis nos níveis de hormônio estimulante da tireoide (TSH), hormônios tireoidianos FT3 e FT4 e do cortisol, que contribuem para o aumento da pressão arterial.

Esses dados, segundo os estudiosos, ajudam a entender melhor os danos que a privação de sono provoca no organismo humano. "Os resultados do estudo podem ajudar a entender melhor como a carga de trabalho e a duração do sono afetam a saúde pública", completa Kuetting.

Foto: © KieferPix - Shutterstock.com
Siga o CCM Saúde no Twitter