Brasileiras ignoram falta de umidificação vaginal

Natali.Saude - 7 de dezembro de 2016 - 09:50

Brasileiras ignoram falta de umidificação vaginal

Segundo estudo, 40% das mulheres que enfrentam esse problema o consideram natural

(CCM SAÚDE) — Uma pesquisa conduzida pelo Ibope demonstra que poucas mulheres brasileiras se preocupam com a saúde de sua vagina. De acordo com o estudo, 88% das mulheres entrevistadas tinham algum grau de desconhecimento sobre o ressecamento vaginal - 20% não sabiam o que é e 68% conheciam pouco.

Entre as que tiveram o problema (29%), 40% disseram não ter procurado o médico por achar que era normal e, portanto, sem necessidade de tratamento, 86% afirmaram que o ginecologista nunca havia tocado no assunto de forma espontânea nas consultas de rotina e 64% buscaram informações sobre ressecamento vaginal na internet.

"É conhecido que as disfunções sexuais aumentam com o progredir da idade, sendo a redução do desejo sexual um dos principais motivos de procura por consultas com o ginecologista", diz Lucia Alves Silva Lara, presidente da Comissão de Sexologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

A pesquisa do Ibope mostra ainda como o ressecamento vaginal impacta a qualidade de vida das mulheres: 76% das que tiveram o problema relataram impacto na vida amorosa, 27%, na vida social, 24%, no trabalho e 22%, na prática de atividade física. Entre as mesmas entrevistadas, os sintomas mais citados da complicação foram: região da vagina ressecada (69%), dor durante o sexo (69%) e ardência na região (44%). Participaram da sondagem 1.007 brasileiras com mais de 16 anos, acesso à internet, das classes A, B e C e de todas as regiões do país.

Lucia Alves explica que o ressecamento vaginal é frequente no pós-parto e pode ocorrer também em razão do uso de medicamentos. "Por exemplo, em algumas situações clínicas que cursam com a redução do hormônio feminino chamado estrogênio. Mas é muito mais comum no climatério e, em especial, na peri e pós-menopausa", explica.

A especialista em sexualidade humana ressalta, porém, que jovens podem enfrentar o problema. "Um exemplo são as puérperas que amamentam e apresentam quatro vezes mais risco de sentir dor nas relações sexuais devido ao ressecamento da vagina. A falência ovariana prematura (menopausa precoce), a quimioterapia, a radioterapia, a redução do desejo sexual e a dificuldade de excitação durante a relação sexual também são condições que levam ao ressecamento vaginal", diz.

Foto: © Vladimir Gjorgiev - Shutterstock.com

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