Diagnóstico de Parkinson por ressonância magnética

Joana.Saude - 21 de julho de 2015 - 18:58

Diagnóstico de Parkinson por ressonância magnética

Descoberta torna diagnóstico da doença mais rápido e permite avaliar grau de degeneração

(CCM SAÚDE) - Um pesquisa recente, publicada na revista "Magnetic Resonance Imaging", apontou a possibilidade de quantificar ferro em pacientes vivos com Doença de Parkinson, através de uma mapeamento feito no exame de ressonância magnética. O ferro é um indicador de degeneração das células neurológicas.



Já se sabia que pessoas com doença de Parkinson apresentam maior concentração de ferro na substância negra do cérebro, mas a quantificação só era possível em autópsias. A novidade de poder identificar a substância em pessoas vivas é resultado do mestrado do físico-médico Jeam Barbosa, no programa de pós-graduação em Física Aplicada à Medicina e à Biologia, da USP.

O diagnóstico é feito através de uma mapa de susceptibilidade magnética, que detecta tecidos com acúmulo de ferro, uma vez que estes tecidos reagem positivamente a um estímulo magnético. As células que não possuem ferro apresentam valores negativos diante de um estímulo.

"Com o mapa de susceptibilidade foi possível visualizar uma maior concentração de ferro no cérebro de um grupo de pacientes com doença de Parkinson quando comparado a um grupo de sujeitos saudáveis. E essa maior concentração estava somente na região da substância negra, a qual é conhecida como a principal região de morte de neurônios dopaminérgicos em pacientes com a doença de Parkinson", revela.

Para a pesquisa, foram analisados, durante dois anos, 30 pessoas saudáveis e 20 pacientes com doença de Parkinson. Todos fizeram exames de ressonância magnética. Ao fim, foi feita uma comparação estatística entre os valores obtidos nos mapas do grupo controle e dos pacientes para oito regiões diferentes de ambos os hemisférios cerebrais.

Para Barbosa, o diagnóstico para a doença de Parkinson poderá ser, em breve, complementado com essa nova ferramenta. "Ela também vai possibilitar, em um futuro próximo, avaliar a progressão da doença e possíveis testes terapêuticos em estudos a longo prazo", comemora.

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