Arte pode mostrar mal de Parkinson e Alzheimer

Natali.Saude - 30 de dezembro de 2016 - 15:21

Arte pode mostrar mal de Parkinson e Alzheimer

Método matemático observou padrões em pinturas feitas por sete artistas famosos

(CCM SAÚDE) — Análises detalhadas das pinceladas de diversos artistas podem ajudar a decifrar o início de doenças como o Parkinson ou o Alzheimer. A conclusão foi obtida após estudo que analisou sete artistas acometidos por doenças neurológicas.

Esse método matemático, que se chama análise fractal, observa padrões recorrentes presentes tanto na matemática como no mundo natural. Eles podem ser encontrados, por exemplo, em árvores e nuvens. E também nas ondas emitidas por nosso cérebro ou nos nossos batimentos cardíacos.

Como parte de um pequeno estudo, a psicóloga Alex Forsythe, da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, realizou análises fractais de mais de duas mil pinturas feitas por sete artistas famosos: Pablo Picasso, Claude Monet, Marc Chagall (que não tinham diagnóstico conhecido de doenças neurológicas), Salvador Dalí, Norval Morrisseau (que desenvolveram mal de Parkinson), Willem de Kooning e James Brooks (diagnosticados com mal de Alzheimer).

A pesquisadora encontrou minúsculas variações nos padrões observados nas pinceladas dos artistas. Nos trabalhos daqueles que mais tarde desenvolveram demência ou mal de Parkinson, os padrões se alteraram de maneira peculiar. "O que verificamos é que, até 20 anos antes de serem diagnosticados com algum transtorno neurológico, o conteúdo fractal nas pinturas desses artistas começou a diminuir", diz a pesquisadora.

O artista holandês Willem de Kooning, que morreu em 1997 aos 93 anos, continuou a pintar até sua oitava década de vida, mesmo após ser diagnosticado com Alzheimer. As pinceladas observadas nos primeiros quadros do artista - um dos expoentes do Expressionismo Abstrato no mundo - são diferentes daquelas presentes em obras feitas mais tarde.

Entretanto, no caso de artistas como Monet e Picasso, que, pelo que se sabe, morreram sem doenças neurológicas, o padrão das pinceladas manteve-se constante. O modelo de estudo não ajuda a diagnosticar a demência ou outras doenças neurológicas, porém oferece revelações importantes sobre mudanças que podem estar ocorrendo no cérebro anos antes de que uma doença neurológica apareça.

Foto: © Ocskay Bence - Shutterstock.com
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