Cannabis alivia dor, mas riscos são incertos

Natali.Saude - 16 de janeiro de 2017 - 09:47

Cannabis alivia dor, mas riscos são incertos

Amplo estudo analisou mais de 10 mil artigos científicos e chegou a quase 100 conclusões

(CCM SAÚDE) — A cannabis, nome científico da planta que dá origem à maconha, pode, sim, aliviar a dor de maneira segura para alguns pacientes, porém seus riscos ainda são incertos, como revelou um estudo conduzido pelo comitê das Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos (NASEM), que analisou mais de 10 mil artigos científicos.



"Há anos o panorama do uso de maconha tem se transformado rapidamente, à medida em que mais e mais estados estão legalizando a cannabis para o tratamento de condições médicas e para o uso recreativo", disse Marie McCormick, presidente do comitê e professora de saúde maternal e infantil da Universidade de Harvard.

Segundo o estudo, os pacientes que usavam cannabis para tratar dores crônicas eram "mais propensos a experimentar uma redução significativa nos sintomas da dor". Adultos com espasmos musculares relacionados à esclerose múltipla também melhoraram seus sintomas ao usar certos "canabinoides orais" - medicamentos sintéticos feitos à base da planta.

Também foram encontradas evidências conclusivas de que estes canabinoides orais poderiam prevenir e tratar náuseas e vômitos em pessoas com câncer que recebem tratamento quimioterápico.

"Fumar cannabis não aumenta o risco de cânceres frequentemente associados com o uso do tabaco - como os cânceres de pulmão e de cabeça e pescoço", acrescentou o relatório. Além disso, o comitê "encontrou evidências limitadas de que o uso de cannabis está associado a um subtipo de câncer testicular".

Entre os riscos do uso de cannabis estão a possibilidade de desencadear um ataque cardíaco, acidentes vasculares cerebrais e diabetes, bem como bronquite e tosse crônica para quem fuma a substância.

Em relação à saúde mental, o comitê descobriu que "o uso de cannabis provavelmente aumenta o risco de desenvolver esquizofrenia, outras psicoses e distúrbios de ansiedade social e, em menor medida, depressão". Porém, em pessoas com esquizofrenia e outras psicoses, "um histórico de consumo de cannabis pode estar ligado a um melhor desempenho em tarefas de aprendizagem e memória", disse.

A maconha é atualmente uma substância da Lista I sob a Lei de Substâncias Controladas, o que significa que está estabelecido que a planta não tem nenhum valor medicinal.

Foto: © Alexander Raths - Shutterstock.com
Siga o CCM Saúde no Twitter