Falar dois idiomas protege idosos do Alzheimer

Natali.Saude - 23 de janeiro de 2017 - 11:15

Falar dois idiomas protege idosos do Alzheimer

Pesquisas apontam que, ao executar tarefas corriqueiras, bilíngues poupam áreas mais vulneráveis do cérebro

(CCM SAÚDE) — Uma equipe canadense de estudiosos constatou recentemente que falar mais de uma língua envolve uma atividade neural que protege o cérebro do mal de Alzheimer e de outras disfunções cognitivas.

Divulgado no 'Journal of Neurolinguistics', o estudo comparou o cérebro de idosos bilíngues com os que falavam apenas um idioma. O objetivo inicial era entender a divergência de estudos anteriores quanto a uma possível melhora cognitiva em pessoas com a habilidade.

"Decidimos olhar para o que o cérebro estava fazendo, e não apenas para o desempenho das tarefas, a fim de observar se essa aparente divergência nos resultados comportamentais poderia ser entendida", conta Ana Inés Ansaldo, do Centro de Pesquisas do Instituto Universitário de Geriatria de Montreal, no Canadá, ao jornal ‘Correio Braziliense’.

No experimento, participaram dois grupos de idosos — um monolíngue e outro bilíngue —, que tinham a tarefa de se concentrar na informação visual de um objeto, a cor dele, e ignorar a espacial, em que posição estava, enquanto o cérebro era escaneado. Ao comparar os resultados, os pesquisadores não detectaram diferenças nos tempos de resposta e nas taxas de erro, mas, analisando o funcionamento cerebral dos voluntários, encontraram características distintas.

"Para executar a tarefa, os monolíngues tiveram que recrutar muito mais áreas do cérebro do que os bilíngues. Eles ativaram redes cerebrais complexas, envolvendo regiões de processamento frontal, visual, motor e espacial, enquanto os bilíngues recrutaram um circuito pequeno e altamente especializado. Seu cérebro, portanto, é mais eficiente na hora de resolver o teste", detalha a pesquisadora.

Com esse estudo, comprovou-se que a área ativada pelo cérebro do idoso monolíngue aloca um número de regiões ligadas às funções visual e motora e ao controle de interferência (vinculada à tomada de decisões), que estão localizados no lobo frontal. Já os bilíngues alcançam o mesmo resultado sem usar as áreas frontais.

"O fato de eles não recrutarem áreas frontais é uma vantagem, já que elas são muito vulneráveis ao envelhecimento e também comprometidas em casos de demência. Isso também pode explicar por que trabalhos anteriores mostram que pessoas que sabem dois idiomas mostram um atraso no aparecimento de sinais de demência em comparação com as monolíngues", detalha.

Foto: © XiXinXing - Shutterstock.com
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