Substância presente em tubarão evita Parkinson

Natali.Saude - 31 de janeiro de 2017 - 10:05

Substância presente em tubarão evita Parkinson

Versão sintética de esteroide evita o acúmulo da proteína que desencadeia a doença neurodegenerativa

(CCM SAÚDE) — O tubarão, um dos animais mais temidos dos mares, pode ajudar a prevenir um problema neurodegenerativo sem cura: o mal de Parkinson. Isso é o que afirmam cientistas do Reino Unido, Espanha, Itália, Holanda e Estados Unidos.

Segundo os pesquisadores, um esteroide presente no tubarão consegue impedir o acúmulo de alfa-sinucleína, proteína cujo excesso está vinculado à doença. A esqualamina, nome da substância, foi replicada em laboratório e testada em vermes modificados para ter a complicação cerebral que acomete humanos e teve resultados promissores.

Mesmo possuindo um sistema imunológico considerado primitivo, tubarões são resistentes a infecções, o que intriga cientistas e estimula pesquisas diversas. "Suspeitávamos que esse animal produzisse compostos protetores. Examinamos os tecidos do tubarão melga, porque é um peixe extensivamente estudado em laboratório, e descobrimos um potente composto antimicrobiano em seu fígado", explicou ao jornal 'Correio Braziliense' Michael Zasloff, um dos autores do estudo e pesquisador da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos.

Além da prevenção do Parkinson, essa substância também pode evitar o câncer. O estudo foi feito com tubarões martelo e branco. Dois genes imunes dessas espécies chamaram a atenção da equipe: o legumain e o bag1. Eles têm homólogos em humanos e a expressão exagerada está ligada ao surgimento de cânceres. Nos grandes animais marinhos, no entanto, houve uma seleção natural evolutiva que os distanciou dos carcinomas.

"Essa maior proporção poderia ser uma razão-chave por trás da luta contra infecções e rápida cura de feridas", diz Michael Stanhope, da Universidade de Cornell. Os autores ressaltam, porém, que a ingestão de partes de tubarões não vai curar e prevenir o câncer ou melhorar o tratamento de feridas. Ao contrário, pode até ser prejudicial à saúde devido ao altor teor de mercúrio presente nesses animais.

Foto: © Peter Vrabel - Shutterstock.com
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