Tuberculose resistente preocupa cientistas

Natali.Saude - 27 de março de 2017 - 09:53

Tuberculose resistente preocupa cientistas

Especialistas alertam que remédios adicionados à lista de tratamento já não têm mais eficácia

(CCM SAÚDE) — Se não forem utilizados da forma correta, novos medicamentos para tratar tipo multirresistente de tuberculose podem se transformar, em breve, em ineficazes, aponta um relatório publicado na revista 'The Lancet Respiratory Medicine'.



De acordo com pesquisas, antibióticos como bedaquilina, delamanida e linezolida passaram a fazer parte da lista de medicamentos contra a tuberculose, porém a bactéria da doença está desenvolvendo uma resistência que faz com que sua eficácia diminua constantemente.

O relatório diz que o controle sobre a indicação e o uso desses medicamentos precisa ser aumentado, já que, se tomado indiscriminadamente, pode provocar a resistência da bactéria. Vale lembrar que houve um longo hiato na produção de medicamentos para tuberculose - o último aprovado foi a rifampicina, nos anos 1970.

"Apesar disso, sem um investimento que promova o acesso aos novos tratamentos, incluindo ciclos menores com menos efeitos adversos, os medicamentos eficazes vão se tornar escassos de novo enquanto a resistência evolui contra as novas opções de tratamento", diz o relatório.

Embora seja pouco falada, a tuberculose mata muitas pessoas em todo o mundo. Em 2015, segundo estimativas, foram 1,8 milhão de pessoas mortas pela doença, principalmente no Leste Europeu e na Ásia Central.

"A complacência sobre o diagnóstico de tuberculose multirresistente aconteceu por muito tempo pelos recursos limitados - a noção de que não poderíamos testar todas as pessoas com tuberculose para multirresistência", adverte Michel Kazatchkine, enviado especial da ONU, em entrevista à 'AFP'. "De fato, a verdade inconveniente é que não podemos nos dar ao luxo de não fazê-lo”, conclui.

Foto: © Alex Mit - Shutterstock.com
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