Em ratos, dengue potencializa o efeito do zika

Natali.Saude - 31 de março de 2017 - 10:27

Em ratos, dengue potencializa o efeito do zika

Se confirmado, resultado deve ser considerado por desenvolvedores de vacinas

(CCM SAÚDE) — Uma descoberta pode mudar a forma como o vírus zika e sua relação com a dengue são encarados. Publicado na revista 'Science', o estudo indica que infecções anteriores por dengue ou vírus do oeste do Nilo potencializam os efeitos do zika.



Conduzido em ratos, esse trabalho, caso seja confirmado, deve alterar a forma como são feitas as vacinas, haja vista que pesquisas anteriores mostraram que as defesas que se formam contra a dengue podem aumentar os efeitos negativos do zika.

Desenvolvido na Universidade de Monte Sinai, em Nova York, o teste inoculou anticorpos de humanos para dengue em 141 ratos e outros 146 receberam o material de pessoas que haviam tido o vírus do oeste do Nilo. Na sequência, os animais foram infectados com o zika e outro grupo também foi exposto ao vírus, mas não recebeu os anticorpos.

O resultado foi que mais de 90% das cobaias desse segundo grupo sobreviveram à infecção, mas, do outro grupo, 21% dos ratos que tinham anticorpos de dengue sobreviveram. 40% dos que tinham anticorpos do vírus do oeste do Nilo morreram.

"Dada a alta prevalência dos anticorpos de dengue nas regiões geográficas mais afetadas pelo zika, nossos resultados sugerem que a imunidade preexistente à dengue pode ter contribuído para a rápida disseminação da zika nas Américas, possivelmente associada à viremia e aos sintomas clínicos aumentados, incluindo a microcefalia", escreveram os pesquisadores.

"Nossos resultados também têm ampla implicação para os esforços de vacinas contra dengue, vírus do oeste do Nilo e outros flavovírus. A reação cruzada induzida por essas vacinas pode levar a um aumento da infecção quando os indivíduos são subsequentemente expostos ao zika vírus", completaram.

A Sanofi Pasteur, fabricante da vacina contra a dengue, afirmou, em nota, que essa correlação não foi observada em estudos feitos com humanos. "Em outros países como Colômbia, México, Honduras e Porto Rico, com grande número de casos de dengue e zika, os resultados também não detectaram este fenômeno", informa a farmacêutica.

Foto: © Carla Nichiata - Shutterstock.com

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