Pesquisa com pílula do câncer será interrompida

Pedro.Saude - 3 de abril de 2017 - 09:48

Pesquisa com pílula do câncer será interrompida

Eficácia reduzida da fosfoetanolamina fez com que Instituto do Câncer impedisse adesão de novos voluntários

(CCM SAÚDE) — O Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp) anunciou na sexta-feira (31) que vai suspender a inscrição de novos pacientes no estudo que vem sendo realizado sobre a fosfoetanolamina, a chamada 'pílula do câncer'.

Segundo o oncologista Paulo Hoff, diretor da instituição, os resultados obtidos até agora com o medicamento são pouco satisfatórios. Dos 59 pacientes em tratamento, apenas um teve taxa de redução dos tumores acima de 30%. "O estudo está muito aquém do que desejaríamos. Da maneira como está sendo colocado, não achamos ético continuar incluindo pacientes", afirmou ele em coletiva de imprensa.

Ao todo, voluntários com dez tipos de câncer diferentes participam atualmente do experimento. O objetivo inicial dos pesquisadores era incluir 21 pessoas com cada tipo da doença, mas a meta foi alcançada apenas para o câncer colorretal. Neste grupo, nenhum paciente apresentou melhora significativa.

O único caso de sucesso é de um voluntário afetado por melanoma, tipo de câncer de pele. "Uma resposta em 59 avaliações pode acontecer por diversas razões. Gostaríamos que fosse pelo efeito benéfico do produto e vamos estudar isso com cuidado", aponta Hoff.

A fosfoetanolamina é um produto desenvolvido há mais de 20 anos pelo químico da Universidade de São Paulo (USP) Gilberto Chierice. Sem nunca ter passado por testes de comprovação da eficácia, o remédio era distribuído gratuitamente pelo professor a pacientes com câncer. Até o momento, nenhuma análise da pílula conseguiu demonstrar seus efeitos de combate à doença.

Foto: © Shawn Hempel - 123RF.com
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