Chagas: crescem mortes na fase sem sintomas

Natali.Saude - 22 de maio de 2017 - 11:28

Chagas: crescem mortes na fase sem sintomas

Estudo conduzido pela Universidade de São Paulo mostra alerta para subnotificação do problema

(CCM SAÚDE) — A Doença de Chagas, que atinge 8 milhões de pessoas em todo o mundo anualmente, registrou 1.570 casos no Brasil entre 2000 e 2013, com mais de 11 surtos. Embora pouco falada, ela representa um perigo, especialmente após descoberta de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP): a doença pode ser subnotificada.

Transmitida pelo Trypanosoma cruzi, hospedado no mosquito barbeiro, a Doença de Chagas pode matar diversas pessoas antes mesmo de os sintomas iniciais aparecem - o que geralmente leva décadas. Segundo o estudo da USP, o risco de uma pessoa que ainda não apresenta sintomas, mas possui Chagas, de morrer é duas vezes maior do que o de uma pessoa sem a doença.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas estudaram 2.842 exames de sangue positivos e 5.684 negativos de Chagas, coletados de doadores de São Paulo entre 1996 e 2000. Os positivos referiam-se a pessoas contaminadas, mas que se encontravam na fase assintomática. Os negativos eram de pessoas que não tinham nenhuma forma da doença.

Foram identificadas 159 mortes entre os 2.842 portadores da doença e 103 entre os que não a tinham. No primeiro grupo, 26 estavam na classificação CID-10, ou seja, a Chagas foi a causa da morte. Outros 23 tinham anomalias cardíacas, provavelmente relacionadas à enfermidade.

O que os pesquisadores notaram é que nem sempre a Doença de Chagas é listada como a causa de morte de pessoas infectadas. Ester Cerdeira Sabino, pesquisadora do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da FMUSP e coautora do trabalho, avalia que a descoberta ajudará a direcionar o tratamento dos pacientes assintomáticos.

"Hoje, existem duas drogas para Chagas, ambas desenvolvidas na década de 1970 e com muitos efeitos colaterais. A eficácia delas na fase crônica é ainda desconhecida, e existe debate entre os médicos de como e quando devem ser usadas", diz.

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