Superbactérias crescem no país e matam 23 mil

Natali_CCM - 17 de julho de 2017 - 09:59

Superbactérias crescem no país e matam 23 mil

Lotação excessiva em hospitais e mau uso dos medicamentos levam a situação de alerta

(CCM SAÚDE) — É sabido que as superbactérias, aquelas que resistem a diversos tipos de antibióticos, estão se disseminando cada vez mais pelo mundo, mas, no Brasil, a situação é ainda mais grave segundo os especialistas.

O país conta com algumas das maiores taxas de resistência a certas bactérias. Estimativas demonstram que as superbactérias já são responsáveis pela morte de 23 mil pessoas por ano, fato que despertou a atenção da Organização Mundial da Saúde (OMS). No mundo, esse valor sobe para 700 mil pessoas. "Estamos numa situação de alerta", diz Ana Paula Assef, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). "Há bactérias aqui que não respondem mais a nenhum antibiótico", aponta.

As famílias de bactérias mais conhecidas por serem resistentes a antibióticos são a Acinetobacter spp, que causa infecções urinárias, na corrente sanguínea e pneumonia, e a Klebsiella pneumoniae, que gera infecções sanguíneas. A Escherichia coli é outra que gera preocupação.

O uso excessivo de antibióticos, bem como o emprego desses medicamentos na agricultura e pecuária, representa algumas das razões pelas quais as bactérias estão cada vez mais resistentes, além da superlotação em hospitais.

"Elas se multiplicam a cada 20 minutos. É uma competição difícil, pois nós levamos anos para colocar um antibiótico no mercado”, avalia Jorge Luiz Mello Sampaio, professor de microbiologia clínica da USP e consultor da Câmara Técnica de Resistência Microbiana em Serviços de Saúde da Anvisa.

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