Veneno de cobra: OMS alerta para escassez

Natali_CCM - 25 de agosto de 2017 - 09:05

Veneno de cobra: OMS alerta para escassez

Organização Mundial da Saúde diz que cada vez menos empresas produzem o soro antiofídico

(CCM SAÚDE) — Anualmente, mais de 100 mil pessoas morrem em decorrência de picada de cobra. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) esse número pode aumentar, já que há uma escassez mundial de soro antiofídico.



Recentemente, a farmacêutica francesa Sanofi Pasteur encerrou a produção do preparado Fav-Afrique, indicado para combater o veneno de muitas serpentes africanas como biútas, víboras, najas e mambas. Na África, inclusive, até 30 mil pessoas morrem por ano após serem picadas por serpentes.

"Na África subsaariana, em particular, há uma grande escassez de antídotos", diz Micha Nübling, da OMS. "Em muitos países, não há teste de qualidade para medicamentos", explica, destacando que isso faz com que antídotos pouco eficazes vindos da Ásia dominem o mercado e levem as pessoas a recorrer a curandeiros, quebrando o mercado.

Como alerta para esse problema, a OMS incluiu a picada de cobras na lista de doenças tropicais esquecidas e trabalha em diretrizes para a produção segura de antídotos efetivos. "A primeira fase de testes de laboratório foi concluída. A próxima fase será de testes de eficácia em camundongos", informa Nübling.

Vale destacar que para a produção em larga escala do soro antiofídico é necessária uma grande quantidade de cavalos, que recebem o soro para produzirem anticorpos.

Foto: © Matthijs KUIJPERS - 123RF.com