Caneta feita por brasileira acha cânceres sólidos

Natali_CCM - 8 de setembro de 2017 - 11:35

Caneta feita por brasileira acha cânceres sólidos

Ferramenta será utilizada por cirurgiões para diferenciar os tecidos doentes dos sadios

(CCM SAÚDE) — Ferramenta criada pela brasileira Livia Esberlin reduz em 150 vezes o tempo para se diferenciar, em tumores, tecidos doentes e saudáveis. O método, testado em 253 amostras de pacientes e animais, traz resultado preciso em 10 segundos.

O próximo passo, agora, é testar a caneta em humanos na sala de cirurgia durante a remoção de tumores. Além de reduzir a espera pelo resultado de biópsias, a novidade se trata de um dispositivo automatizado, descartável e biocompatível que utiliza apenas uma gota d’água, além do espectrômetro de massa e um software para reconhecer o câncer.

Utilizado por enquanto apenas em casos de tumores de mama, pulmão, tireoide e ovário, incluindo seus subtipos, o dispositivo está sendo utilizado na Universidade do Texas, em Austin, onde a pesquisadora brasileira trabalha.

"A ideia é ajudar o médico a achar a margem cirúrgica", conta Livia, enfatizando que, hoje em dia, quando o paciente é submetido ao procedimento de remoção do câncer, é difícil estabelecer o tamanho exato de tecido que deve ser removido. Com esse dispositivo, o cirurgião encosta a caneta descartável no tecido e, com o pé, aciona um pedal que libera uma gota d’água. A água absorve as moléculas contidas na superfície e é sugada por um cano de 1,5 a 2 metros, ligado ao aparelho de espectrometria de massa.

Em menos de um segundo é obtida a estrutura das moléculas, que vai para um computador conectado à máquina, responsável por, em 10 segundos, dar o diagnóstico de câncer ou tecido normal. Ainda em testes, a caneta deve estar disponível em cinco anos nos centros de excelência estadunidenses.

Foto: © Creations - Shutterstock.com