Criação de antibióticos fortes é muito lenta

Natali_CCM - 20 de setembro de 2017 - 09:55

Criação de antibióticos fortes é muito lenta

Bactérias com alta resistência à medicação tradicional só crescem e mortes aumentam também

(CCM SAÚDE) — O número de bactérias super resistentes só aumenta em todo o mundo, mas a velocidade com a qual os antibióticos são reformulados não segue esse ritmo, segundo um relatório publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).



O órgão afirma que a pesquisa de novos medicamentos está atrasada, mas o número de mortes provocadas por doenças relacionadas às superbactérias não para de crescer.

Denominado 'Antibacterial agents in clinical development — an analysis of the antibacterial clinical development pipeline, including Mycobacterium tuberculosis' (Agentes antibacterianos em desenvolvimento clínico — uma análise do desenvolvimento clínico em andamento, incluindo Mycobacterium tuberculosis), o estudo indica que apenas a tuberculose com forte resistência aos antibióticos tradicionais mata 250 mil pessoas por ano no mundo.

Para a agência internacional de saúde, dentre os 51 tipos de antibióticos disponíveis atualmente no mercado, apenas oito são considerados inovadores e com potencial de combater as superbactérias, algo muito preocupante.

"A resistência antimicrobiana é uma emergência de saúde global que vai comprometer seriamente o progresso da medicina moderna", diz Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS, em comunicado. "Há necessidade urgente de mais investimento em pesquisa para infecções resistentes a antibióticos, incluindo tuberculose, ou seremos forçados a voltar ao tempo em que as pessoas temiam infecções comuns e arriscavam suas vidas em pequenas cirurgias", alertou.

Há diversos fatores que contribuem para que as bactérias fiquem mais resistentes. O mau uso dos antibióticos e a prescrição abusiva deles são as duas principais causas. Por isso, no Brasil, eles só podem ser comprados com receita médica.

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