França será primeiro europeu a banir agrotóxico

Pedro.CCM - 29 de setembro de 2017 - 06:05

França será primeiro europeu a banir agrotóxico

País quer proibir o glifosato, herbicida mais vendido no mundo, a partir de 2022; Europa debate tema polêmico

(CCM SAÚDE) — A França pretende se tornar o primeiro país europeu a banir o uso do glifosato, herbicida mais utilizado em todo o mundo. A medida, segundo o ministro do Meio Ambiente Nicolas Hulot, deverá ser adotada a partir de 2022.



O plano do governo francês é estudar, ao longo dos próximos cinco anos, formas de substituir o Roundup, nome comercial do glifosato. A decisão se baseia fundamentalmente em relatório da Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (Iarc) de 2015, que classificou o produto como responsável por mutações genéticas e possivelmente carcinogênico em seres humanos.

A proibição, no entanto, é bastante polêmica. Associações de agricultores e a indústria química afirmam que há outros estudos apontando a segurança do glifosato, bem como o risco de perda de competitividade dos produtores franceses em relação aos de outros países onde o uso da substância é liberado.

E as discussões não devem se restringir à França. A Comissão Europeia tem até dezembro para realizar votação entre seus países-membro sobre a renovação da licença do uso do Roundup pelos próximos 10 anos. Além da França, outras nações podem se posicionar contrárias à manutenção do uso do produto.

Em julho deste ano, a Califórnia se tornou o primeiro estado americano a alertar para os riscos da substância. Apesar de não estar completamente proibido, o glifosato foi incluído em uma lista, que teve sua primeira versão em 1986, de produtos químicos causadores de câncer.

No seu relatório de 2015, a Iarc, agência das Nações Unidas, revelou que o glifosato está ligado principalmente ao surgimento de linfomas não-Hodgkin em seres humanos, além de afetar a qualidade dos solos e contaminar aves e peixes. Em resposta, em março deste ano, a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar divulgou estudo garantindo a segurança do produto. Pouco depois, vazamentos revelaram que grandes partes do documento eram cópias de conteúdo produzido pela indústria química.

Atualmente, cerca de 825 toneladas de Roundup são utilizadas por ano em todo o mundo. Além disso, há 750 produtos de mais de 90 companhias diferentes que têm o glifosato como princípio ativo registrados.

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