Terapias contra malária e verminoses levam Nobel

Joana.Saude - 8 de outubro de 2015 - 18:51

Terapias contra malária e verminoses levam Nobel

Descoberta das substâncias avermectina, contra vermes, e artemisinina, contra malária, rendeu premiação a cientistas da Irlanda, Japão e China

(CCM SAÚDE) - Nesta segunda-feira (05/10), foi concedido o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2015 para duas terapias. A primeira, para combater doenças causadas por vermes nematódeos, foi desenvolvida pelos cientistas William C. Campbell, da Irlanda, e Satoshi Omura, do Japão. A segunda terapia, desenvolvida pela chinesa YouYou Tu, combate a malária.



"Essas duas descobertas forneceram à humanidade novos e poderosos meios de combater essas doenças debilitantes que afetam milhões de pessas anualmente", afirmou o comitê do Nobel em comunicado à imprensa. "As consequências em termos de melhora da saúde humana e redução do sofrimento são imensuráveis".

A chinesa Tu, médica de Pequim e professora-chefe da Academia de Medicina Tradicional Chinesa, conseguiu isolar a artemisinina, substância da erva Artemisia annua, eficaz contra o parasita da malária. A erva já era utilizada pela medicina tradicional chinesa para combater a doença, mas até então não se sabia por quê ela era eficaz.

Já Campbell e Omura descobriram uma nova droga - avermectina - que reduziu radicalmente a incidência de oncocercose (conhecida popularmente como "cegueira dos rios" ou "mal de garimpeiro") causada pelo verme Onchocerca volvulus, e pela filaríase linfática, infecção por trás da elefantíase, causada por vermes do gênero Filarioidea.

A primeira descoberta foi realizada na década de 1960, dentro do escopo de um programa secreto do governo chinês, mas o nome de sua descobridora só foi revelado em 2005. A avermectina foi descoberta na década de 1970, por Campbell, que na época trabalhava para multinacional farmacêutica Merck e hoje é pesquisador emérito da Universidade Drew, de Nova Jérsei (EUA). Omura é professor emérito da Universidade Kitasato, de Tóquio, no Japão.

Campbell e Omura dividirão metade dos 8 milhões de coroas suecas do prêmio (US$ 963 mil), enquanto Tu ficará com a outra metade.

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