Solidão reduz imunidade e eleva risco de morte

Pedro.Saude - 26 de novembro de 2015 - 11:01

Solidão reduz imunidade e eleva risco de morte

Efeito biológico do sentimento de abandono foi comprovado por pesquisadores; risco de morte prematura é 14% maior

(CCM SAÚDE) - Os efeitos da solidão sobre a saúde de adultos e idosos é claro. No entanto, estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, revelou qual o mecanismo biológico que afeta o bem-estar e reduz a expectativa de vida das pessoas que vivem sós, sem o convívio próximo com parentes e amigos. O trabalho foi publicado na revista científica 'Proceedings of the National Academy of Sciences' na última segunda-feira (23).

A pesquisa, feita tanto em humanos quanto macacos, revelou que a solidão desencadeia um fenômeno denominado pelos cientistas como 'resposta transcricional conservada à adversidade' (CTRA, na sigla em inglês), isto é, pessoas sozinhas sofrem com a redução de seus leucócitos, células responsáveis pela defesa imunológica e, por outro lado, com o aumento dos genes associados a processos inflamatórios.

Para a equipe do psicológico John Cacioppo, autor do estudo, o CTRA é o responsável pelo risco aumentado de morte prematura - cerca de 14% - entre pessoas que sofrem de solidão. Cacioppo garante, no entanto, que tal situação só está relacionada às pessoas que sofrem com a sensação de abandono. Indivíduos com quadros de depressão ou estresse motivados por outros fatores não foram estudadas pelos pesquisadores estadunidenses.

O próximo passo dos cientistas de Chicago é conseguir comprovar como a saúde dessas pessoas é afetada, quais as doenças com maior tendência a serem desencadeadas pela solidão para, a partir daí, buscar formas de prevenir tais ocorrências e reduzir os riscos de morte prematura.

Foto: © Pixabay.