Células-tronco combatem esclerose sistêmica

Natali.Saude - 15 de março de 2016 - 10:05

Células-tronco combatem esclerose sistêmica

Transplantes para doença reumática são realizados pela USP em Ribeirão Preto

(CCM SAÚDE) — A esclerose sistêmica, doença reumática que compromete os movimentos e pode impossibilitar uma pessoa de realizar tarefas simples, tem sido combatida no Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto, São Paulo, por meio de transplantes de medula óssea.



Até o momento, 74 pacientes com esclerose sistêmica foram submetidos a esse procedimento e já sentiram melhoras, tais como a recuperação da força muscular e respiratória.

"Para os pacientes, as opções de tratamento convencionais são restritas, não funcionam bem. Então, temos investigado o transplante de medula óssea como uma forma de tratamento mais agressiva e mais eficaz, e tem funcionado", afirma a reumatologista Maria Carolina Rodrigues, orientadora do estudo.

A esclerose sistêmica é autoimune e se caracteriza pela produção excessiva de tecidos fibrosos, o que compromete o movimento dos dedos, das mãos e, em grau avançado, prejudica o funcionamento de órgãos como coração e pulmão. Atualmente, o tratamento da doença associa medicamentos com a quimioterapia.

O objetivo do transplante é "zerar e reiniciar" o funcionamento do sistema imunológico para que ele pare de agredir as células do organismo. Primeiro, são colhidas as células-tronco da medula do próprio paciente. Em seguida, ele é submetido a sessões agressivas de quimioterapia e, logo depois, as células são reintroduzidas na medula.

"Esse tipo de transplante é feito em outros países também de forma experimental, mas não existe a avaliação da força muscular. A gente tem exame de sangue, exame radiológico, mas não sabe dizer quanto melhorou o movimento do paciente. Ir ao mercado, abrir uma garrafa, abotoar uma camisa são grandes vitórias", afirma a pesquisadora.

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