Malhar após estudo melhora o aprendizado

Natali.Saude - 17 de junho de 2016 - 10:29

Malhar após estudo melhora o aprendizado

Pesquisa holandesa recomenda que exercícios sejam feitos quatro horas depois de estudar

(CCM SAÚDE) — Ir para a academia treinar depois de um longo estudo pode ser a melhor forma de fixar o conteúdo e aprender melhor, sabia? Pelo menos é o que aponta um estudo holandês divulgado na revista 'Current Biology', no qual estudiosos dizem que exercícios físicos ajudam o cérebro a guardar as informações por mais tempo.

Ao investigarem a relação entre a consolidação da memória e atividades aeróbicas, os pesquisadores chegaram à conclusão de que reações químicas importantes no cérebro são impulsionadas pela movimentação do corpo.

No experimento, 72 participantes receberam a tarefa de associar imagens de locais a endereços. Depois de 40 minutos memorizando as informações, eles foram divididos em três grupos: parte pedalou durante 35 minutos uma bicicleta ergométrica imediatamente após a aula; outra parcela realizou a mesma atividade física quatro horas depois; e o terceiro grupo não fez exercício.

Quarenta e oito horas mais tarde, os voluntários retornaram ao laboratório para um teste em que tinham de apontar a imagem correspondente a cada endereço. Ao mesmo tempo, tinham o cérebro monitorado por meio de um aparelho de ressonância magnética. As maiores taxas de acerto foram observadas nos participantes que se exercitaram quatro horas após a sessão de memorização.

Os cientistas não sabem explicar por que o exercício feito logo após o aprendizado não gerou o mesmo efeito que a atividade realizada mais tarde. "Existe uma boa evidência, a partir de pesquisas feitas em roedores, de que a liberação de certos neurotransmissores do grupo catecolamina conduz uma cascata bioquímica que leva à produção de proteínas relacionadas a plasticidade cerebral. Essas substâncias ajudam na consolidação da memória na sinapse, que de outro modo seria perdida", disse ao jornal 'Correio Braziliense' Guillén Fernández, principal autor do estudo e pesquisador do Instituto Donders, do Centro Médico da Universidade de Radboud, na Holanda.

Com a descoberta, os pesquisadores acreditam que essa premissa pode ser aplicada no cotidiano, especialmente no ensino infantil e em pacientes com doenças como o mal de Alzheimer, por exemplo.

Foto: © Umpaporn - Shutterstock.com
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