Compra de pílulas abortivas cresce 50% no Brasil

Pedro.Saude - 23 de junho de 2016 - 07:29

Compra de pílulas abortivas cresce 50% no Brasil

Gestantes têm buscado interromper gravidez por medo das consequências da infecção por vírus zika

(CCM SAÚDE) — A procura de mulheres por pílulas abortivas na internet cresceu 50% entre novembro de 2015 e março deste ano, indica pesquisa publicada nesta quarta-feira (22) no 'New England Journal of Medicine'. O aumento, também percebido em outros países da América Latina, é reflexo direto da epidemia de vírus zika e o risco de malformações cerebrais nos bebês.



Apesar de o Brasil ter sido o primeiro detectar a ligação do zika com a microcefalia e já acumular mais de 1.600 casos da condição congênita, o Equador é o país com maior crescimento na busca por abortivos, com 107,7% de crescimento. Logo depois, aparecem Venezuela (93,3%), Honduras (75,7%) e Colômbia (38,7%). Dos oito países investigados, somente a Jamaica não apresentou elevação da procura.

Há duas semanas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que mulheres em áreas de transmissão endêmica do zika devem evitar engravidar. Outros países que, assim como o Brasil, proíbem o aborto também emitiram comunicados semelhantes nos últimos meses.

A pesquisadora da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, Abigail Aiken, responsável pelo levantamento, critica a situação contraditória destes países. "Quando você emite esse tipo de conselho, mas não os relaciona com caminhos para cuidados seguros e legais, cria uma situação realmente difícil para as mulheres", comenta ela.

Foto: © Pixabay.
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