Surto de hepatite A interrompe queda da doença

Pedro.CCM - 11 de janeiro de 2018 - 07:13
Surto de hepatite A interrompe queda da doença
Casos no Rio e em São Paulo fazem número de casos aumentar pela primeira vez em 12 anos

(CCM SAÚDE) — Desde 2005, a incidência de hepatite A em todo o Brasil vinha caindo de maneira consistente. Em 2017, no entanto, surtos nas duas maiores cidades do país reverteram essa tendência e ligaram o sinal de alerta entre especialistas.


O caso mais grave se deu em São Paulo. Foram registrados 694 casos da doença ao longo do ano passado, aumento de 700% em relação a 2016. Já no Rio de Janeiro, as notificações se concentraram na favela do Vidigal, na Zona Sul da cidade. Ao todo, 119 pessoas foram infectadas contra apenas 10 ocorrências em 2016.

Com isso, a queda acentuada no número de casos de hepatite A foi interrompida após 12 anos. Em 2005, a incidência da doença atingiu pico de 11,7 casos por 100 mil habitantes. Quedas anuais levaram a taxa a ficar na casa de 0,6 casos por 100 mil em 2016.

Apesar da proximidade espacial e temporal, os surtos em São Paulo e Rio têm características diferentes. O caso paulistano foi provocado fundamentalmente por contato sexual desprotegido e cerca de 70% das ocorrências afetaram homens entre 18 e 39 anos.

Por sua vez, o surto na favela carioca está atrelado à falta de saneamento básico na região e o consumo de água contaminada pela população. No entanto, não se descarta a possibilidade de que o vírus tenha entrado na cidade trazido de São Paulo em relações sexuais e depois afetado a água.

A hepatite A é uma infecção que causa sintomas similares ao do gripe, além de quadros de icterícia (amarelamento da pele e olhos), sua principal característica. Sem tratamento, a doença pode provocar complicações graves como falência do fígado e encefalopatia hepática, ambas condições com risco de morte. A prevenção pode ser feita com uso da vacina, disponível desde 2014 na rede pública para crianças até 5 anos.

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