Cigarro eletrônico leva jovens ao tabagismo

Natali Chiconi - 26 de janeiro de 2018 - 10:09
Cigarro eletrônico leva jovens ao tabagismo
Pesquisa coloca em xeque a eficiência do dispositivo e afirma que ele pode servir como "isca"

(CCM SAÚDE) — O cigarro eletrônico, utilizado por algumas pessoas como alternativa ao cigarro comum, tem tantos malefícios quanto seu antecessor. Isso porque, segundo estudiosos, ele incentiva os adolescentes a fumarem.


Ao avaliarem 800 pesquisas sobre o dispositivo, cientistas chegaram à conclusão de que ele traz poucos benefícios a quem deseja parar de fumar e pode, ainda, fazer com que os adolescentes se viciem no tabagismo, já que 33,8% dos estudantes de ensino médio já usaram esse tipo de cigarro nos Estados Unidos.

Com base nesses estudos, os pesquisadores afirmam que a maioria dos adolescentes começa a fumar por meio desses dispositivos e passa para o cigarro comum. O cigarro eletrônico, aliás, tornou-se um grande investimento da indústria do tabaco, que já investe pesadamente nesse dispositivo.

"As pesquisas mostram que o cigarro eletrônico é uma forma de iniciação. Os mais novos não vivenciaram o boom da campanha antitabagista e se tornaram alvo dos fabricantes. Esses cigarros eletrônicos têm vários sabores diferentes, e isso é uma estratégia para iniciar os jovens", explica a psiquiatra Helena Moura, especialista em dependência química, ao jornal 'Correio Braziliense'.

Segundo esse mesmo estudo, a probabilidade de jovens que já usaram o cigarro eletrônico evoluírem para o tabagismo convencional é de 23,2%. No Brasil, o cigarro eletrônico ainda não pode ser comercializado, mas muitos jovens utilizam o dispositivo trazido de outros países ou adquiridos pela internet.

"Nesse produto, a nicotina encontra-se na forma líquida, sendo aquecida, aspirada e também liberada no meio ambiente sob a forma de vapor, imitando, do ponto de vista comportamental, o cigarro convencional e carregando substâncias tóxicas para as vias respiratórias e o sistema cardiovascular", alertam Antônio Pedro Mirra, da Comissão de Combate ao Tabagismo, e Florentino de Araújo Cardoso Filho, então presidente da Associação Médica Brasileira.

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