Em excesso, melatonina pode gerar diabetes

Natali Chiconi - 30 de janeiro de 2018 - 09:54
Em excesso, melatonina pode gerar diabetes
Especialistas alertam para o consumo excessivo da substância para estimular o sono no Brasil

(CCM SAÚDE) — Hormônio indutor do sono, a melatonina está disponível em farmácias de manipulação no Brasil como forma de combate a distúrbios do sono. Porém, ela tem sido consumida de maneira desregulada, alertam especialistas.


Ainda sem registro de medicamento no país, a melatonina, se consumida em excesso e sem prescrição médica, pode causar inchaço da pele, boca ou língua, perda de consciência, depressão, irritabilidade, nervosismo, ansiedade, aumento da pressão arterial e funcionamento anormal do fígado, entre outros problemas.

Produzido naturalmente pela glândula pineal, glândula endócrina localizada perto da região central do cérebro, a melatonina prepara o organismo para adormecer, porém tem também papel importante no controle da ingestão alimentar, na síntese da insulina nas células e em outros funções importantes do organismo.

"A questão é criar a percepção de que não é uma balinha e que precisa ser administrada de forma adequada. Do contrário, pode trazer consequências sérias", afirma José Cipolla Neto, professor de fisiologia no Instituto de Ciências Biomédicas da USP e pesquisador dos efeitos fisiológicos e mecanismos de ação da melatonina.

Ainda não liberado pela Anvisa, esse medicamento é comercializado em farmácias de manipulação. "A quantidade que precisa ser administrada para o paciente no começo da noite não pode ser grande o suficiente para permanecer no organismo durante o dia. Do contrário, pode trazer resistência insulínica pela manhã, o que significa iniciar o desenvolvimento de um quadro diabético", explica o especialista.

Na USP de Ribeirão Preto, um grupo de pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas estuda aplicações com a melatonina, como o uso do hormônio para evitar lesões cardiovasculares em quem possui doença de Chagas.

"A melatonina é quem regula tudo, a hora que cada hormônio deve entrar em ação. Filósofos antigos achavam que a glândula pineal era a sede da alma humana porque ela conduzia os ritmos do organismo. E é ali que está a produção da melatonina”, conclui José Clóvis do Prado Júnior, professor associado do Departamento de Análises Clínicas Toxicológicas e Bromatológicas da faculdade.

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