Alzheimer é ligado à ansiedade excessiva

Natali Chiconi - 20 de fevereiro de 2018 - 09:48
Alzheimer é ligado à ansiedade excessiva
Pesquisadores descobriram que ambas as doenças acumulam proteína beta-amiloide no cérebro

(CCM SAÚDE) — O mal de Alzheimer, doença ainda pouco decifrada pelos cientistas, ganha novas pistas rumo a um tratamento melhor. Agora, uma pesquisa relaciona a ansiedade excessiva ao surgimento do problema.


A conclusão foi obtida após uma pesquisa estadunidense que descobriu, em comum entre ansiedade e Alzheimer, o acúmulo de proteína beta-amiloide no cérebro - algo que pode ser um estágio inicial da demência.

Publicado na revista 'The American Journal of Psychiatry', o estudo avaliou uma pesquisa observacional com idosos iniciada em 2010, nos Estados Unidos. Foram selecionadas 270 americanos, homens e mulheres, sem problemas cognitivos, com idade entre 62 e 90 anos. Eles foram submetidos a exames para avaliar Alzheimer e Depressão Geriátrica.

"Sabemos que a depressão é um fator de risco para o declínio cognitivo, embora os mecanismos biológicos que explicam essa associação ainda não sejam entendidos", diz, ao jornal 'Correio Braziliense', Nancy Donovan, psiquiatra geriátrica no Brigham and Women’s Hospital e uma das autoras do estudo.

"Ao comparar os pacientes com outros sintomas característicos da depressão, como tristeza ou perda de interesse, os de ansiedade aumentaram com o tempo nos pacientes que demonstraram um nível mais alto de beta-amiloides no cérebro", afirma.

Segundo os cientistas, o acúmulo dessa proteína relacionada à ansiedade pode dar origem ao Alzheimer dez anos depois. "Em última análise, esperamos ser capazes de identificar subgrupos importantes de adultos de alto risco, mesmo antes do comprometimento cognitivo, com base em fatores biológicos, alterações de comportamento da beta-amiloide e sintomas neuropsiquiátricos", diz a cientista.

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