Pesquisa defende haver cinco tipos de diabetes

Pedro.CCM - 5 de março de 2018 - 10:36
Pesquisa defende haver cinco tipos de diabetes
Cada subtipo da doença deveria ter tratamento específico, aponta estudo sueco

(CCM SAÚDE) — A diabetes, até hoje classificada entre os tipos 1 e 2, deveria ser classificada na realidade em cinco grupos distintos com riscos e tratamentos específicos para cada um deles, defende trabalho da Universidade de Lund, na Suécia.


A pesquisa traz os primeiros resultados do estudo Andis, que há 10 anos acompanha 13.720 suecos portadores de diabetes. Os dados, publicados na revista científica 'The Lancet', definem os novos tipos de diabetes pela idade dos portadores e complicações mais frequentes.

A diabetes, atualmente, é dividida em apenas dois tipos. O tipo 1 diz respeito aos pacientes incapazes de produzir insulina e que em geral têm a condição de forma congênita, enquanto o tipo 2 engloba pessoas com resistência à insulina e condição adquirida.

A classificação proposta divide o atual tipo 2, que responde por 90% dos casos, em quatro categorias. Já a diabetes tipo 1 é abrigada no novo grupo 1, definido pela forma autoimune da doença e diagnosticada na juventude.

O novo grupo 2 também é caracterizado por produção insuficiente de insulina, mas o sistema imunológico do paciente funciona corretamente e há risco mais elevado de retinopatia diabética. Os três grupos restantes têm em comum a resistência ao hormônio que equilibra os níveis de açúcar no sangue.

O grupo 3 engloba pacientes acima do peso cujo organismo já não responde à insulina produzida e têm maior chance de insuficiência renal. O grupo 4 é a forma de diabetes diretamente relacionada à obesidade, um dos principais fatores de risco da doença. Por fim, o grupo 5 é a diabetes associada à idade do paciente.

Essa nova categorização é um passo crucial para desenvolver novas terapias para a doença, diz Leif Groop, um dos autores da pesquisa. "Uma classificação mais refinada pode dar uma ferramenta poderosa para identificar aquelas pessoas em risco aumentado de complicações. Esse é o caminho da personalização dos regimes de tratamento", afirma.

Na nova divisão, o grupo 5 é o mais comum, com incidência de 39,1%. Na sequência, estão o grupo 4 (21,6%), o grupo 2 (17,5%), o grupo 3 (15,3%) e, por último, o grupo 1 (6,4%).

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