SUS quer oferecer exame genético a casais

Natali_CCM - 22 de março de 2018 - 10:06

SUS quer oferecer exame genético a casais

Iniciativa rastrearia a possibilidade de nascerem crianças com doenças congênitas raras; médicos discordam

(CCM SAÚDE) — O Ministério da Saúde anunciou que pretende implantar um exame para identificar a possibilidade de casais terem filhos com doenças genéticas. Entretanto, a iniciativa despertou insatisfação de médicos, que a consideram anti-ética.



A intenção do Ministério seria oferecer esse programa a casais que tenham risco aumentado de gerar filhos com doenças congênitas raras.

"Caso as chances sejam altas, o casal será encaminhado para acompanhamento e aconselhamento pelo médico geneticista, que explicará, com base em estatísticas, exames e evidências científicas, os problemas, dificuldades e sofrimentos que a família poderá passar se decidir manter o projeto de ter filhos nessas condições", diz a nota emitida pela entidade.

A Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), no entanto, rebateu essa proposta dizendo que ela teria a intenção de induzir casais em risco a não terem mais filhos, economizando recursos destinados a tratamentos desse tipo. "Uma coisa é o aconselhamento, outra é interferir na decisão reprodutiva daquela família", comenta a presidente da SBGM, Carolina Fischinger Moura.

O valor do procedimento também causou desconforto da comunidade médica, já que, na rede privada, esses testes estão disponíveis por cerca de R$ 12 mil por casal.

"Estamos falando de R$ 2 bilhões por ano investidos apenas em testes genéticos, visto que esse teste não é feito na prática clínica. O Sistema Único de Saúde não pode pagar isso", completa Fischinger.

Outro problema seria a quantidade de profissionais habilitados para fazer esse tipo de teste. Atualmente, são cerca de 400 especialistas habilitados. Caso essa medida seja adotada pelo SUS, seriam necessários muito mais, além de, no mínimo, cinco vezes mais centros de atendimento às pessoas com doenças raras - atualmente, o país tem apenas sete instituições desse tipo.

"Já que existem recursos, melhor seria empregá-los para fazer sair do papel a portaria de Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras, e atender a milhões de pessoas que necessitam de aconselhamento genético, ampliando os poucos centros já existentes e criando novos centros de referência em doença genética no interior do Brasil", sugeriu Salmo Raskin, secretário do Departamento Científico de Genética da Sociedade Brasileira de Pediatria (DC-SBP).

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que a proposta ainda está em avaliação juntamente com a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia no SUS (Conitec).

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