Droga para o câncer pode combater o autismo

Pedro Muxfeldt - 23 de março de 2018 - 07:56
Droga para o câncer pode combater o autismo
Falta de interação social de pacientes autistas pode ser revertida com tratamento curto

(CCM SAÚDE) — As dificuldades de socialização de pacientes com transtornos do espectro autista podem ser revertidas com um tratamento à base de um remédio usado contra o câncer, defende estudo da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos.


Em um experimento feito com ratos, o uso da substância romidepsina, aprovada para o tratamento de linfomas nos Estados Unidos, em baixas doses e por apenas três dias conseguiu dotar animais com autismo de habilidades sociais até então inexistentes. A melhora durou três semanas, o equivalente a alguns anos de vida de seres humanos.

"Descobrimos uma pequena molécula que mostra efeitos profundos e prolongados em déficits sociais ligados ao autismo sem efeitos colaterais enquanto drogas usadas atualmente não apresentam a mesma eficácia terapêutica", aponta Zhen Yan, principal autor da pesquisa estadunidense.

O medicamento atua restaurando a expressão e o funcionamento de um gene chamado Shank 3. Pesquisas anteriores do mesmo grupo de cientistas comprovaram que o bloqueio desse componente está diretamente ligado à perda das habilidades cognitivas e sociais de portadores de autismo. O próximo passo dos pesquisadores é realizar testes em humanos.

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