Cigarro eletrônico: líquidos são piores que tabaco

Natali_CCM - 28 de março de 2018 - 08:00

Cigarro eletrônico: líquidos são piores que tabaco

Pesquisa aponta que algumas bases do e-liquid podem ser ainda mais prejudiciais que nicotina

(CCM SAÚDE) — O cigarro eletrônico tem sido, há algum tempo, apontado como uma alternativa mais saudável ao cigarro tradicional, porém uma pesquisa feita nos Estados Unidos indica que essa afirmação nem sempre é verdadeira.



O estudo, conduzido pela Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, indicou que os líquidos (denominados e-liquid) utilizados para dar sabor ao cigarro eletrônico contém substâncias tóxicas diversas e algumas podem ser mais perigosas do que o cigarro de tabaco.

"Em alguns produtos, os componentes eram mais tóxicos que a nicotina sozinha e que os ingredientes base dos e-liquid, que são glicerina vegetal e propilenoglicol, substância também vegetal", conta Robert Tarran, professor de biologia celular e fisiologia da instituição e principal autor do trabalho.

O que mais preocupa os cientistas, além desse resultado em si, é que aumenta, cada vez mais, a adesão de adolescentes e jovens adultos a esse dispositivo.

"Estudos recentes indicaram que aproximadamente 15% a 25% dos estudantes das primeiras séries da High School [equivalente ao Ensino Médio] já usaram e-cigarros. Outras pesquisas mostram que de 10% a 15% dos adultos estadunidenses utilizam esses produtos. São números que aumentam a cada ano e, todavia, temos poucos estudos sobre os efeitos na saúde", diz.

No Brasil, por ora, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não liberou a venda do cigarro eletrônico, porém ele é encontrado facilmente em tabacarias e sites diversos.

"Os principais ingredientes dos e-líquidos [glicerina vegetal e propilenoglicol] são considerados atóxicos quando ministrados oralmente, mas, obviamente, os vapores do cigarro eletrônico são inalados. Nós constatamos que, mesmo na ausência de nicotina ou de aromatizantes, pequenas doses desses compostos orgânicos reduzem significativamente o crescimento das células humanas", complementa Flori Sassano, coautor do estudo.

Para atrair cada vez mais adeptos, o mercado de cigarros eletrônicos comercializa esses itens com nomes como candy corn, chocolate fudge e berry splash, remetendo a guloseimas. Entretanto, quanto mais substâncias são empregadas à fabricação do cigarro eletrônico, mais tóxico ele se torna.

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