Pancadas na cabeça elevam risco de Alzheimer

Natali Chiconi - 17 de abril de 2018 - 09:48
Pancadas na cabeça elevam risco de Alzheimer
Cientistas descobriram forte relação entre esses traumas - mesmo fracos - e risco de demência

(CCM SAÚDE) — Já são conhecidos os casos de demência entre ex-lutadores de boxe e alguns jogadores, porém, agora, um estudo comprova que pancadas na cabeça - mesmo as fracas - elevam riscos de mal de Alzheimer.


A pesquisa, conduzida com 2,8 milhões de pessoas, foi a maior já realizada sobre esse assunto. Segundo os cientistas, quem sofre de traumas na cabeça, mesmo moderados, corre 24% mais risco de desenvolver algum tipo de demência ao longo da vida.

Uma única batida severa, como um traumatismo craniano, por exemplo, elevaria a probabilidade de desenvolver o problema em 35%. Já um golpe menos grave aumentaria o risco em 17%, segundo o estudo, publicado na revista 'The Lancet'.

"O que nos surpreendeu foi que mesmo um único trauma moderado já foi associado a um risco significativamente maior de demência", diz Jesse Fann, professor de psiquiatria e ciências do comportamento da Universidade de Washington, que liderou o estudo. Atualmente, a demência afeta 47 milhões de pessoas no mundo.

A pesquisa funcionou da seguinte forma: de 2,8 milhões de adultos avaliados por um período de 36 anos, 132.093 pessoas (4,7% da amostra) tiveram ao menos um diagnóstico de trauma, sendo que a maioria (85%) era de gravidade média. Entre 1999 e 2013, 126.734 indivíduos dessa lista foram diagnosticados com demência após os 50 anos.

"Lançar luz sobre os fatores de risco da demência é uma das mais importantes tarefas na pesquisa de saúde. Nossas análises levantam algumas questões importantes, em particular, que os esforços para prevenir traumatismo em pessoas jovens podem estar inadequados, considerando o aumento do fardo da demência e a prevalência das lesões cerebrais no mundo todo", diz Fann.

Foto: © 9nong - Shutterstock.com

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