Adesivo mede glicose no sangue sem agulhas

Natali_CCM - 18 de abril de 2018 - 09:37

Adesivo mede glicose no sangue sem agulhas

Dispositivo foi criado por físicos britânicos e é composto por sensores de grafeno

(CCM SAÚDE) — O diabetes, doença crônica que dura toda a vida, afeta 8,9% da população brasileira. Para controlar a glicose, atualmente o paciente deve picar o dedo para avaliar a taxa da substância. Entretanto, um adesivo pode mudar essa realidade.



Composto por sensores de grafeno, ele mede as taxas de açúcar em fluidos existentes entre células e vasos sanguíneos. Os criados, físicos britânicos, acreditam que a novidade aumentará a adesão ao tratamento do diabetes.

"Esperamos que esse se torne um sensor de baixo custo que envie medições relevantes de glicose para o telefone ou para o relógio inteligente do usuário, alertando-o quando for preciso agir", explica Richard Guy, pesquisador do Departamento de Farmácia e Farmacologia da Universidade de Bath, na Inglaterra, e um dos criadores do dispositivo.

Esse meio alternativo de medir os níveis de açúcar na corrente sanguínea é uma alternativa ao tradicional método, que pica o dedo uma ou mais vezes por dia para colocar uma gota de sangue em uma fita, indicando o nível de glicose. Embora seja quase indolor, esse procedimento afasta algumas pessoas do controle diário.

"Devido ao design do circuito de sensores e de seus reservatórios, não é preciso calibrar o adesivo com amostra sanguínea, significando que testes que furam o dedo são desnecessários", diz Guy, ressaltando que o adesivo pode fazer leituras a cada 10 ou 15 minutos, por até 12 horas.

Com o objetivo de estender a atuação do dispositivo para 24 horas, os cientistas destacam o uso do grafeno na fabricação do adesivo.

"O grafeno é forte, condutivo, flexível e potencialmente de baixo custo, além ser ecológico. Conseguimos que cada sensor opere em uma pequena área sobre um único folículo piloso do paciente, o que reduz, significativamente, variações inter e intratecido da pele na extração de glicose e aumenta a acurácia das medições”, completa Adrelina Ilie, pesquisadora do Departamento de Física e coautora do trabalho.

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