Questão mental está ligada ao suicídio de jovens

Natali_CCM - 15 de maio de 2018 - 06:33
Questão mental está ligada ao suicídio de jovens
No Brasil, suicídio entre jovens de 10 a 14 anos cresceu mais de 65% entre 2000 e 2015

(CCM SAÚDE) — A questão do suicídio entre jovens é algo que preocupa em todo o mundo. Ela é a segunda principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos e, segundo pesquisadores, está ligada ao desenvolvimento de seus cérebros.


Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que, no Brasil, o suicídio entre jovens de 10 a 14 anos cresceu mais de 65% entre 2000 e 2015 e foi agravado pelos casos recentes de jovens paulistanos que tiraram suas próprias vidas recentemente.

Para explicar isso, neurologistas descobriram que o cérebro cresce de um modo desbalanceado. O hipocampo e a amígdala - responsáveis pelos sentimentos e armazenamento de emoções - amadurecem mais rapidamente que o córtex pré-frontal, que regula emoções e impulsos.

De acordo com os cientistas, essa questão perdura até os 25 anos de idade e, por isso, há risco aumentando de excessos emocionais nesse período da juventude.

Esse desenvolvimento assimétrico do cérebro, combinado ao uso cadáver maior de redes sociais, smartphones e computadores, faz também com que os jovens fiquem mais vulneráveis ao uso de drogas e a problemas de saúde mental, tais como depressão, diretamente ligada ao suicídio.

"Adolescentes que passam mais tempo em novas mídias [incluindo redes sociais e outras acessíveis por aparelhos eletrônicos, como smartphones] tinham mais propensão a relatar problemas de saúde mental, e adolescentes que passavam mais tempo em atividades distantes das telas [interação interpessoal, esportes, lição de casa, leitura ou atividades religiosas] tinham propensão menor", diz Jean Twenge, psicológica estadunidense.

Atualmente, a questão da saúde mental dos jovens é assunto de interesse global. No Japão, por exemplo, o suicídio é a maior causa de morte entre os jovens. Segundo a OMS, mais de 800 mil pessoas tiram as próprias vidas anualmente, sendo que 78% delas estão localizadas em países de renda média e baixa.

Para se ter ideia da gravidade do problema em todo o mundo, nos EUA, os suicídios de meninos e meninas de 15 a 19 anos cresceram entre 2007 e 2015, sendo que, no caso específico de meninas, eles dobraram. No Reino Unido, uma média de quatro pessoas menores de 35 anos tiram a própria vida diariamente.

Combater esse problema não é fácil. A OMS orienta que a prevenção ao suicídio de jovens requer coordenação e colaboração entre múltiplos setores da sociedade. Algumas medidas são redução do uso de álcool nessa faixa etária e intervenções estruturais em locais como pontes ou estações que possam virar locais de suicídio. Estimular mais interações interpessoais e menos redes sociais é outra medida.

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