Jejum pode comprometer a produção de insulina

Natali Chiconi - 21 de maio de 2018 - 08:20
Jejum pode comprometer a produção de insulina
Estudo indica que jejum intermitente pode, a longo prazo, danificar pâncreas e prejudicar a criação do hormônio

(CCM SAÚDE) — O jejum intermitente, prática cada vez mais adotada por quem deseja perder peso, usa as reserva de gordura do organismo para gerar energia. Essa prática milenar, no entanto, pode trazer sérios danos à saúde.


É o que aponta uma pesquisa apresentada congresso da Sociedade Europeia de Endocrinologia, em Barcelona, indicando que os efeitos desse hábito no organismo, a longo prazo, podem ser muito maiores do que seus benefícios, como a melhora das taxas de colesterol ou de marcadores inflamatórios.

Conduzido por Ana Claudia Munhoz Bonassa e Angelo Rafael Carpinelli, do Departamento de Fisiologia e Biofísica da Universidade de São Paulo (USP), o estudo foi feito com ratos saudáveis e não obesos, alimentados dia sim, dia não. A conclusão foi que, três meses depois, eles tinham perdido peso, mas apresentaram sinais de danos no pâncreas e no funcionamento da insulina, diretamente ligada ao diabetes 1 e 2.

"Os radicais livres são moléculas instáveis que podem se ligar a outras moléculas, prejudicando o funcionamento delas. Observamos um aumento desses radicais livres após o jejum agudo", conta Ana Claudia. "Os outros efeitos negativos encontrados foram, de fato, uma surpresa para nossa equipe", revela.

Polêmico, o jejum intermitente possui adeptos e quem o critica severamente, mas, segundo a pesquisadora, os resultados obtidos com ele podem facilmente ser conseguidos com outras práticas mais saudáveis.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) recomenda que a perda de peso seja feita com reeducação alimentar, adaptando aos poucos a saciedade no sistema nervoso central. A prática de exercícios físicos também é essencial.

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