Falta de infecções é fator para leucemia infantil

Pedro.CCM - 23 de maio de 2018 - 07:48

Falta de infecções é fator para leucemia infantil

Estudo sugere que crianças devam ter contato com bactérias e vírus inofensivos

(CCM SAÚDE) — A busca de pais por proteger seus filhos recém-nascidos de infecções pode ser perigosa. Estudo do Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres afirma que a falta de contato com germes atua no surgimento da leucemia em crianças.



O trabalho, realizado pelo renomado cientista britânico Mel Greaves, sugere que o desenvolvimento de leucemia, tipo de câncer infantil mais frequente, está relacionado a uma combinação de fatores que envolve mutações genéticas e a falta de contato com bactérias e vírus benignos durante os primeiros anos de vida.

Segundo o pesquisador, bebês cujo sistema imunológico não foi posto à prova apresentaram maiores riscos de sofrerem mutações genéticas que os tornam mais suscetíveis ao desenvolvimento do câncer. Além da leucemia, essa situação também influenciaria em casos de diabetes tipo 1, alergias e linfomas.

Em experimento, Greaves demonstrou que ratos com uma mutação genética que elevava o risco de leucemia sofriam um maior número de alterações subsequentes no DNA caso fossem criados em ambientes estéreis e livres de micro-organismos invasores em relação aos animais que cresceram em contato com germes.

Outra situação que dá peso à hipótese, de acordo com o cientista, é o maior número de casos de leucemia em países ricos, onde a possibilidade de prevenção do contato de crianças com vírus e bactérias é maior. Entre os países mais pobres do mundo, os casos de câncer infantil é muito baixo ou mesmo inexistente. "Doenças infecciosas em geral estão ligadas à pobreza. Mas o problema nesse caso não são as infecções e sim o contrário, a falta delas", diz ele.

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