Cápsula trafega pelo intestino e detecta doenças

Natali_CCM - 25 de maio de 2018 - 09:59

Cápsula trafega pelo intestino e detecta doenças

Pesquisadores estadunidenses criaram dispositivo que identifica sangramentos e inflamações

(CCM SAÚDE) — O trato digestivo é uma parte do corpo difícil de explorar e pode esconder doenças e sangramentos. Pensando nisso, cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) criaram uma cápsula que "viaja" pelo local.



Ao ser ingerido, esse sensor identifica problemas gastrintestinais e estomacais, apontando moléculas sugestivas de sangramento excessivo. Segundo os estudiosos, a novidade pode, ainda, ser adaptada para indicar biomarcadores relacionados a outras condições de saúde.

Publicado na revista 'Science', o estudo, liderado por Timothy Lu, professor do MIT e coautor do artigo, defende a necessidade de se investigar melhor a microbiota intestinal e outras doenças, incluindo a depressão.

"Há um grande interesse sobre a biologia e a atividade do intestino humano, assim como as interações entre as bactérias que vivem nas nossas entranhas e no resto do corpo. Mas esse é um lugar difícil de acessar e compreender", disse. "Nosso objetivo é construir sensores biológicos que possam servir como leitores de algumas dessas interessantes locações", explicou.

Ao utilizar bactérias geneticamente modificadas, que, dentro das cápsulas, atuam como sensores, a cápsula criada no MIT envia dados a um aplicativo de celular, que fornece resultados em tempo real. Testado com sucesso em porcos, o dispositivo deve ser avaliado em humanos nos próximos dois anos.

"O sensor é um cilindro de 10 mm por 30 mm, pequeno o suficiente para permitirmos testá-lo, embora nosso objetivo seja diminui-lo ainda mais, deixando mais ou menos com um terço desse tamanho, quando formos fazer os testes clínicos, com humanos", contou Phillip Nadeau, que participou do estudo como Ph.D. no MIT. A cápsula passa pelo sistema digestivo e é eliminada nas fezes.

Os autores do trabalho estimam que, de um a dois anos, seja possível começar os testes com humanos. "A principal limitação que temos no momento, em termos de testes clínicos, é ter mais financiamento, além da papelada necessária para conseguir aprovação para esse tipo de experimento", concluem os pesquisadores.

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