Crianças com zika podem apresentar autismo

Natali Chiconi - 7 de junho de 2018 - 10:52
Crianças com zika podem apresentar autismo
Pesquisadores indicam que esquizofrenia é outra reação possível na fase adulta

(CCM SAÚDE) — Um estudo brasileiro previu, em cobaias, as possíveis reações do zika na vida adulta de quem foi atingido pelo vírus. O resultado foram distúrbios de comportamento como autismo e esquizofrenia.


Segundo os pesquisadores, mesmo as crianças que não foram afetadas pela microcefalia podem apresentar esses problemas ao longo da vida.

Atualmente, as crianças atingidas pelo zika vírus no Brasil devem ter, no máximo três anos. Por isso, a maioria dos estudos trabalhou a fase inicial da infecção, sem considerar o que poderia acontecer com essas crianças na fase adulta.

Pensando em responder isso, cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro e de São Paulo fizeram uma previsão, em cobaias, dos efeitos do zika a longo prazo. O estudo, publicado no 'Science Translational Medicine', conclui que a infecção pode trazer distúrbios de comportamento (esquizofrenia, autismo), de memória e consequências motoras (em crianças com microcefalia ou sem).

Eles também descobriram que o infliximabe, usado para o tratamento da artride reumatoide (doença que causa dores e deformações), pode ser útil na fase aguda da infecção por zika, reduzindo o número de convulsões.

"As infecções por zika, por não serem tão sintomáticas na gravidez, provavelmente foram subnotificadas", diz Andrea da Poian, virologista, bioquímica e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "Isso tem algumas consequências, como o fato de que alguns fetos podem ter sido atingidos e não sabemos ainda como", completa.

"O ciclo de vida do camundongo é menor; e, por isso, conseguimos demonstrar os efeitos do zika a longo prazo", diz Andrea da Poian. O artigo, ainda cita que, depois de 1964, durante uma pandemia de rubéola, o índice de autismo e de esquizofrenia, que contabilizavam menos de 1% dos casos, aumentaram para 13% e 20%, respectivamente.

O estudo, portanto, faz a mesma associação entre infecções e diversas desordens psiquiátricas, que podem surgir após pandemias de gripes, poliomielite, sarampo, cachumba, episódios de gripes e varíola.

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