Suicídio leva a 800 mil mortes anuais no mundo

Natali_CCM - 25 de junho de 2018 - 09:26
Suicídio leva a 800 mil mortes anuais no mundo
Pesquisas apontam que, a cada 40 segundos, alguém se mata; falar sobre isso é essencial

(CCM SAÚDE) — A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que, por ano, o número de suicídios é maior que o de homicídios em todo o mundo, chegando a 800 mil contra 470 mil. Somado a isso, os números, segundo a instituição, só aumentam.


Essas mortes prematuras, causadas geralmente pela depressão, poderiam ser evitadas caso houvesse uma conversa aberta sobre doenças mentais, especialmente em países pobres e em desenvolvimento.

"A forma de abordagem ainda é preconceituosa. As pessoas não querem aceitar que a doença mental existe. Mas é preciso deixar claro que suicídio é uma emergência médica. Quase 100% das pessoas que tentaram ou se suicidaram têm um quadro psiquiátrico. E são doenças mentais tratáveis. É o preconceito que estrangula a prevenção", diz o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, diretor e superintendente técnico da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), ao jornal 'Correio Braziliense'.

A afirmação do especialista é confirmada pela OMS, que avaliou dados de 15.629 suicídios. Dentre eles, 35,8% das vítimas tinham transtorno de humor, 22,4% eram dependentes químicas, 10,6% tinham esquizofrenia; 11,6%, transtorno de personalidade; 6,1%, transtorno de ansiedade; 1%, transtorno mental orgânico (disfunção cerebral com múltiplas causas não psiquiátricas, incluindo concussões, coágulos e lesões); 3,6%, transtorno de ajustamento (depressão/ansiedade deflagradas por mudanças ou traumas); 0,3%, outros distúrbios psicóticos, e 5,1%, outros diagnósticos psiquiátricos. Os 3,1% podem não ter tido um diagnóstico adequado.

"Muitos pensam erroneamente que é melhor evitar falar do assunto, quando, na verdade, promover espaços para discussões e desmistificação de problemas mentais é algo muito importante e necessário, tendo em vista os modos de vida contemporâneos quase sempre centrados na solidão, nas distrações digitais, no individualismo e na competitividade exacerbada", aponta Sílvia Raquel S. de Morais, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).

Segundo especialistas, o suicídio pode ser prevenido, mas, para isso, é preciso falar abertamente sobre o assunto, ainda visto como um tabu. Um caso bem sucedido forma Inglaterra e País de Gales, que criaram programas para identificar grupos de risco em cada região, com acompanhamento específico e tratamento.

No Brasil ainda não há um plano nacional de prevenção do suicídio em talvez por isso, os números só aumentam. Para se ter uma ideia do impacto desse problema aqui, a taxa de suicídio aumentou - isso sem contar os casos subnotificados.

"Quantos casos não entram como envenenamento, atropelamento, acidente, intoxicação?", questiona o diretor e superintendente técnico da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva.

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