Cafeína pode tratar estresse pós-traumático

Natali Chiconi - 2 de julho de 2018 - 09:29
Cafeína pode tratar estresse pós-traumático
Descoberta, feita por brasileiros, dá esperança para tratamentos de transtorno de estresse pós-traumático

(CCM SAÚDE) — A cafeína, uma das substâncias mais consumidas no mundo todo, pode ajudar a tratar o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Segundo pesquisadores brasileiros, ela reduziu lembranças traumáticas em ratos.


Os cientistas acreditam, com base nesses estudos, que a cafeína gera alterações neurais que "desarmam" a memória, viabilizando intervenções médicas. O estudo, divulgado na revista 'Scientific Reports', teve o objetivo de estudar o efeito farmacológico da cafeína para mexer em memórias afetivas.

"Uma das nossas linhas de pesquisa é como mudar uma memória traumática em alguém que sofre com TEPT", explica Lucas Alvares, ao jornal 'Correio Braziliense'. Ele é professor do Departamento de Biofísica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e estuda os mecanismos por trás da memória.

O experimento foi conduzido da seguinte forma: Alvares e sua equipe provocaram traumas em roedores para criar memórias negativas, como no caso do TEPT. Depois, as cobaias receberam doses de cafeína, aplicadas em injeções, antes de serem expostas novamente a situações traumáticas.

"Hoje, sabemos que a memória é mais dinâmica do que se pensava anteriormente. Podemos alterar o seu conteúdo, assim que ela é formada. Ela é fortalecida pelas sinapses, porém, o ato de lembrar faz com que fique vulnerável e possa ser alterada", explica o pesquisador brasileiro, ressaltando que a cafeína poderia ser utilizada em uma sessão de terapia, por exemplo.

Agora, os investigadores darão continuidade à pesquisa entendendo melhor os efeitos dos receptores da adenosina, que são afetados pela cafeína. A pesquisa mostra que a cafeína, talvez, abra as portas para que as lembranças possam ser modificadas.

"Quando você lembra das coisas, consegue manipulá-las. É a mesma coisa daquela história de que quem conta um conto aumenta um ponto", comenta Carlos Enrique Uribe, neurologista do Instituto Castro e Santos, em Brasília.

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