Adolescência: muita internet eleva risco de TDAH

Natali Chiconi - 18 de julho de 2018 - 10:37
Adolescência: muita internet eleva risco de TDAH
Pesquisas indicam que jovens expostos a mídias digitais podem desenvolver déficit de atenção

(CCM SAÚDE) — Um estudo com jovens estadunidenses indica que os que usam muita internet têm mais risco de desenvolver Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).


Segundo pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia (UCS), nos Estados Unidos, após um estudo conduzido com 2,6 mil adolescentes acompanhados por dois anos, as chances de que jovens muito ligados às mídias digitais desenvolvam TDAH são maiores.

Publicada no 'Journal of the American Medical Association (Jama)', a pesquisa indica uma forte relação entre níveis elevados de mídias digitais e transtornos que se estendem para a vida adulta.

"Tecnologias móveis fornecem estimulação rápida e de alta intensidade acessível o dia inteiro, o que aumentou a exposição às mídias digitais muito além do que se foi estudado previamente", observa Adam Leventhal, diretor do Laboratório de Saúde, Emoção e Adição da Faculdade de Medicina Keck da USC.

O estudo foi conduzido com 2.587 jovens entre 15 e 16 anos que estudavam em escolas públicas de Los Angeles, nos EUA, e não tinham diagnóstico prévio de TDAH.

Eles tiveram que responder, por um período de dois anos, a perguntas como a frequência com que checavam sites de mídias sociais, trocavam mensagens, assistiam a vídeos, baixavam ou ouviam música por streaming, comentavam o status/fotos de outras pessoas, conversavam on-line, assistiam a filmes por streaming, jogavam sozinhos ou com amigos, postavam ou compartilhavam fotos/vídeos/atualizações de status, e outros temas relacionados.

Após tabularem as respostas, os pesquisadores dividiam os jovens em três categorias: sem uso, uso mediano, alto uso. A cada seis meses, eles eram entrevistados novamente, até se encerrar o período de dois anos.

Ao fim dos estudos, foram diagnosticados sintomas de TDAH em 9,5% dos 114 estudantes que utilizavam metade desses recursos com frequência, e em 10,5% dos 51 categorizados como alto uso. Na outra ponta, 4,6% dos 495 jovens que não eram usuários frequentes de mídias digitais apresentaram TDAH - o mesmo índice da população em geral.

O TDAH é considerado um transtorno neurobiológico e comportamental. Em geral, manifesta-se na infância e na adolescência e se caracteriza por falta de concentração, impulsividade e hiperatividade. No Brasil, um estudo do Instituto Glia encontrou prevalência de 4,4% do problema entre a população de 4 a 18 anos. Nos Estados Unidos, essa taxa é de 4%.

Um estudo recente realizado nos Estados Unidos indicou que os adolescentes passam cerca de um terço do dia, quase nove horas, usando mídias on-line, o que alerta para o controle do uso de tablets e smartphones.

"O resultado não quer dizer que os smartphones causem TDAH, mas sugerem que essa estimulação digital constante pode contribuir para aumentar a problemática cada vez maior de déficit de atenção e hiperatividade da nossa sociedade moderna", afirmam os pesquisadores.

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