Pulsos elétricos podem ajudar a tratar o diabetes

Natali Chiconi - 16 de agosto de 2018 - 09:09
Pulsos elétricos podem ajudar a tratar o diabetes
Terapia, ainda em teste por cientistas holandeses, reduz a necessidade de repor insulina

(CCM SAÚDE) — O diabetes é, atualmente, uma condição que não tem cura. Entretanto, uma descoberta feita por holandeses pode dar uma esperança aos portadores da doença.


Por meio da estimulação elétrica do cérebro (DBS, em inglês) de 15 voluntários, os cientistas notaram que essa intervenção neural reduziu a necessidade de insulina.

Diante das conclusões, os pesquisadores têm cada vez mais certeza da relação entre o metabolismo da glicose e as funções cerebrais. Para eles, o neurotransmissor dopamina poderia estar envolvido nesse processo, bem como o núcleo accumbens - região do cérebro ligada à recompensa.

A equipe holandesa optou por trabalhar com voluntários que combinavam outra complicação clínica. "Foi demonstrado que a DBS aumenta a liberação de dopamina no corpo estriado [área cerebral] em pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Decidimos, então, estudar o metabolismo da glicose especificamente nessa população de pacientes", conta Mireille Serlie, pesquisadora do Departamento de Endocrinologia e Metabolismo da Universidade de Amsterdam.

A pesquisa funcionou da seguinte maneira: os investigadores forneceram impulsos elétricos às células cerebrais de um paciente obeso com diabetes tipo 2, bem como a 14 pessoas com TOC não diabéticos. Depois de monitorarem as concentrações de glicose em seu sangue, descobriu-se que o tratamento com DBS reduziu a necessidade de insulina em ambos os grupos.

"Essa estratégia levará a uma abordagem mais direcionada e ajudará a decidir quais áreas do cérebro e quais vias são mais promissoras em relação à modulação da glicemia em pacientes com diabetes", explica a cientista.

Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 16 milhões de brasileiros tenham diabetes. Além disso, a incidência dessa condição cresceu 61,8% nos últimos dez anos. As principais causas dessa doença são fatores como obesidade, alimentação inadequada e sedentarismo.

Foto: © bikeriderlondon - Shutterstock.com