Retina pode indicar o surgimento do Parkinson

Natali Chiconi - 20 de agosto de 2018 - 09:07
Retina pode indicar o surgimento do Parkinson
Pesquisadores descobriram que afinamento da retina está ligado à perda de neurotransmissor importante

(CCM SAÚDE) — O mal de Parkinson, doença que ainda não tem cura, pode dar sinais importantes na retina, segundo uma pesquisa realizada na Coreia do Sul.


Os cientistas afirmam, após um estudo com 49 pessoas com idade média de 69 anos, que o afinamento da retina está ligado à perda da dopamina, que é um neurotransmissor que ajuda a controlar os movimentos corporais.

"Nosso estudo é o primeiro a mostrar uma ligação entre o afinamento da retina e um sinal conhecido da progressão da doença— a perda de células cerebrais que produzem dopamina", explica, em comunicado, Jee-Young Lee, pesquisador da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, e um dos autores do estudo, divulgado na revista ‘Neurology’.

Para chegarem a essas conclusões, os estudiosos submeteram os pacientes a um exame oftalmológico completo, bem como a tomografias de alta resolução para fotografar as camadas das retinas. O resultado foi que se observou o enfraquecimento da retina em quem tinha Parkinson, especialmente nas duas camadas internas.

"Também descobrimos que, quanto mais fina a retina, maior a gravidade da doença. Essas descobertas significam que os neurologistas podem, eventualmente, usar um simples exame ocular para detectar a doença de Parkinson em estágios iniciais, antes que os problemas com o movimento se manifestem", completa Lee.

Agora, o próximo passo dos cientistas é acompanhar os participantes do estudo por mais tempo, viabilizando a adoção desse exame como medida para tratar precocemente o Parkinson e ajudar a retardar sua progressão.

"Maiores estudos são necessários para confirmar as descobertas e determinar por que o estreitamento da retina e a perda de células produtoras de dopamina estão relacionadas", conclui Lee.

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